29 de abril de 2011

O perímetro...

A recente revisão do défice público de Portugal de 2007, 2008, 2009 e 2010, respectivamente, para 3,1%, 3,5%, 10,1% e 9,1% do PIB, ficou a dever-se, em boa parte, ao facto de passar a ser contabilizado, de acordo com as novas regras do Eurostat, o défice das empresas públicas com receitas operacionais inferiores a 50% dos seus custos?! Isto ouvi-o duas vezes da boca do Primeiro-Ministro, em duas entrevistas televisivas. O que significa que uma empresa pública que tenha prejuízos anuais de 49%, por exemplo, ainda não é contabilizada no défice, permanecendo no chamado perímetro orçamental?!?!? Mas um dia vai ser! É isto sério? Civicamente, o que se pedia, hoje, a quem gere o País, por muito que a verdade pudesse doer, é que terminasse com todos os perímetros e retirasse do armário todos os esqueletos! Infelizmente, não é ainda a isso a que se assiste...
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19 de novembro de 2010

A oeste nada de novo!

A crise descentrou as atenções dos bancos e centrou-as nos estados que se endividaram para acorrer aos bancos e/ou pôr dinheiro na economia. Ao sector financeiro, a crise trouxe umas falências e umas prisões nos Estados Unidos, um ténue reforço da regulação na Europa, e pouco mais. Tudo continua mesma. Mesmo entre nós.
Tenho um depósito a prazo no BIG. E fui contactado recentemente sem o ter pedido, por mail e por telefone. Transcrevo o mail que é bem elucidativo de que pouco mudou.
Ou seja:
  1. Os bancos continuam a aliciar os clientes com depósitos tradicionais, sem que estes o tenham pedido, com produtos de maior risco;

  2. Os bancos arrogam-se no direito de, quando o cliente não responde à mensagem, telefonarem e quando o cliente diz não, perguntarem, como me perguntaram: «mas não tem interesse por alguma razão especial?!»;

  3. Os bancos continuam a ter uma linguagem críptica e quase cifrada: tive obviamente de pesquisar para saber o que era um unit linked;

  4. Desconto obviamente as gralhas e os erros grosseiros de português e mesmo toda a sintaxe da mensagem, que só comprovam que a literacia financeira, se existir, não é acompanhada da literacia em língua portuguesa.
Exmo. Sr. [...]
Boa tarde,
Venho por este meio fazer-lhe uma sugestão para o capital que actualmente possui investido num depósito a prazo. A intenção deste investimento seria na óptica de diversificar o capital de forma a que retirasse a maior rendibilidade possível.
Aqui coloco uma breve explicação do produto e em anexo a carteira que acho que se adequa ao seu perfil de investidor.
O Eurovida BiGLink é um contrato de seguro de vida com formato “unit linked”, composto por fundos de investimento e classificado como ICAE (instrumento de captação de aforro estruturado) que combina diversificação, qualidade, flexibilidade e eficiência fiscal da seguinte forma:
- gestão profissional e especializada à tanto de quem faz a escolha dos fundos que integram as carteiras como das equipas de gestão dos mesmos: as carteiras integraram fundos investimento geridos por algumas das mais prestigiadas casas gestoras mundiais.
- poupança fiscal no curto prazo à dentro das carteiras, dado que nas transacções realizadas com mais-valias as mesmas não estão sujeitas a retenção na fonte; nos resgates parciais, desde que o somatório dos valores levantados não seja superior às entregas efectuadas, não existe retenção na fonte;
- poupança fiscal no longo prazo à desde que 35% das entregas ocorram na primeira metade do contrato, entre o 5º e o 8º ano a retenção na fonte é de 17,2% e depois do 8º passa a 8,6%;
Realço que este tipo de produtos “unit linked” como são feitas sobre a forma de seguro de vida com capitalização (no caso do BiG Link a gestão administrativa é feita pela Eurovida) tem eficiências fiscais, a saber:
- no curto prazo à sempre que fazemos realocações na carteira que resultem em vendas de fundos com mais-valias, não existe qualquer tipo de retenção sobre as mesma (por comparação, quando o investimento é feito directamente em fundos existe retenção na fonte de 21,5%);
à em levantamentos parciais do valor investido, mesmo que o valor global do investimento tenha ganhos, não existem retenções. Ex: investem 10000€, daqui a 1 ano a carteira vale 12000€, mesmo que levante 2000€ (o “ganho”) como o valor levantado é inferior ao investido e por lei neste tipo de seguros de capitalização apenas são tributadas as mais-valias, não existe qualquer retenção na fonte (por comparação com um fundo, sempre que realizam mais-valias são retidos na fonte à taxa liberatória de 21,5%).
- no médio/longo prazo à sendo estes produtos típicos de “poupança”, quando levantados na totalidade depois do 5º e 8º ano após o investimento, a retenção sobre as mais-valias que possa existir passa a fazer-se às taxas de 17,2% e 8,6%.
Aguardo algum feedback da sua parte no que diz respeito ao interesse pelo produto.
Com os melhores cumprimentos,

[...]
Financial Advisor
Banco de Investimento Global – Agência de Picoas
Av Fontes Pereira de Melo n.º 35A - 1050-118 Lisboa
T. 351 213 584 724 - F. 211 206 809 BiG.pt

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10 de junho de 2010

Economês

Uma notícia do Expresso deste fim-de-semana dava conta de que o Banco de Portugal caçou a licença ao braço-direito de João Rendeiro no BPP, Paul Guichard, nome que não tem estado na berlinda e de que raramente se ouve falar. É um erro achar que casos como o BPP ou o BPN se deveram exclusivamente a João Rendeiro e Oliveira e Costa. Não é possível, nos dias de hoje, a um só homem montar colossais embustes, como por exemplo o do BPN.
A dada altura, diz o Expresso:
«Paul Guichard promoveu a criação de 12 offshores, sobretudo, “com objectivos de alisamento ou window dressing de resultados e parqueamento de investimentos em veículos de private equity».
A frase é notável. Veja-se a quantidade de termos ingleses e o nível de metáfora de termos ingleses e portugueses. O que reflecte muito do que é hoje a linguagem económica. Ao contrário de outros, vejo com agrado a importação, com ou sem aportuguesamento, de termos e sobretudo os níveis de metáfora que me parecem intelectualmente bastante estimulantes. Agora o que acho é que a linguagem jurídica ou o eduquês, por exemplo, onde a importação de termos e os níveis de metáfora são bastante mais baixos, têm sido bastante mais maltratados do que o economês. Talvez porque não estejam na moda...
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5 de junho de 2010

Peões de brega a propósito da PT

Há uns anos, vi um impante Belmiro de Azevedo a subir, às 8h00, as escadas da Assembleia da República (AR), creio que para prestar declarações a uma comissão parlamentar, dizer aos jornalistas que só àquela hora é que podia lá estar… Belmiro impôs a hora para ir à AR e a AR acedeu… Não foi uma visita de deputados à Sonae, foi uma visita do presidente da Sonae à AR. Foi um pequeno episódio, mas sintomático. A AR ajoelhou na sua própria casa.
Pelo meio, vi muitos outros episódios. Outro, também pequeno, mas igualmente sintomático. O nosso Primeiro-Ministro, já José Sócrates, qual vendedor de Bimby, apresenta, creio que em pleno Parlamento venezuelano, o computador Magalhães, manuseando o equipamento e dizendo que até os assessores dele o utilizavam… O poder político ao mais alto nível serve ao mais baixo nível o poder económico...
Há uns dias, o Governo, qual peão de brega, ameaçava usar a sua golden-share na PT para inviabilizar a compra pela Telefonica da participação da PT na Vivo, afirmando a importância estratégica da empresa para a economia nacional e a importância da Vivo na estratégia de internacionalização da PT. Hoje, perante a subida da parada, parece fechar-se em copas e remeter o assunto para os accionistas. Afinal, a importância estratégica era apenas o preço, do qual, aliás, o Estado só indirectamente, por via da CGD, beneficiará.
Enquanto isso, o Povo escolhe os políticos como alvo de eleição, aplaudindo pequenas medidas demagógicas como a da redução dos salários dos políticos. Obviamente que ao não se dignificarem os políticos se põem a jeito! Obviamente que quanto mais atirarmos sobre eles, mais fracos eles serão. Mais peões de brega de cavaleiros e de toureiros-artistas, ou seja, daqueles que fazem a lide, matam o touro e no final recebem os louros…

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22 de maio de 2010

Do lado da receita…

Por estes dias todos os que trabalham para o Estado quase sentem vergonha. Prestam um serviço à comunidade, asseguram organizações essenciais ao nosso viver colectivo. Infelizmente, não são nem valorizados, nem acarinhados. Infelizmente também, desde logo, a começar pelo patrão: o Governo. Pelo contrário, são tratados como párias que vivem à mesa do Orçamento. É expressão muito em voga por estes dias. Também se diz que têm privilégios?! Outra palavra em voga. Quando se pergunta quais: fala-se na ADSE, no emprego para toda a vida (como se ter emprego fosse um privilégio). Mesmo os intelectualmente mais desonestos - e há-os -, pouco mais conseguem desenterrar como privilégios, porque não há mais nada para desenterrar. Muitos dos que chamam a isto privilégios talvez trabalhem em empresas que lhes atribuem salários em média superiores aos públicos, viatura, cartão de crédito, seguro de saúde, seguro de vida, etc. Mas aí não são privilégios, aí é normal, são privados e ninguém tem nada com isso. Mesmo que todos paguemos isso – e pagamo-lo certamente – na factura dos serviços e/ou dos bens que eles produzem.
Por estes dias, a falta de vergonha não conhece limites...
Muitos desses caceteiros, que se dizem privados e defensores do mercado, exigem ao Estado, sem um pingo de vergonha, tudo o que podem e sugam-no de todas as formas e feitios. Sugam-no com a economia paralela que vale vários pontos do PIB e sem a qual não haveria défice, sugam-no com as operações em offshores no qual fogem à tributação fiscal, sugam-no com a desenfreada fuga ao fisco das mais variadas maneiras, deduzindo não o que devem mas tudo o que podem até aos mais recônditos limites da lei, sugam-no criando contabilidades criativas ou até mesmo paralelas, sugam-no com os pedidos de subsídios por tudo e para tudo, sugam-no com os mais diversos benefícios fiscais, sugam-no com os pedidos de apoios directos e indirectos, a fundo perdido ou com linhas de crédito especiais, sugam-no com IRC de pacotilha, sugam-no com pseudo-empresas monopolistas, sugam-no com as declarações de prejuízos anos a fio e não admitem sequer pagar o PEC (Pagamento Especial por Conta), sugam-no com as ruinosas parcerias público-privadas, contratos leoninos em que o Estado aliena espaços, instalações e serviços públicos a troco de um prato de lentilhas e em que quando há lucro fica nos tais privados e quando há prejuízo fica no Estado, etc., etc.
Por estes dias, a falta de vergonha não tem limites.
E dizem à boca cheia que há muito a fazer do lado da despesa – e acredito que haja, desde logo acabando com essa vergonha que são as parcerias público-privadas – mas, a contra-ciclo o digo, há ainda mais a fazer do lado da receita...

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3 de maio de 2010

Sombras chinesas

Em matéria de receita, os tempos parecem ser de atirar em tudo o que mexe. Parecem! Porque na verdade, há muitos jogos de sombras chinesas, puras ilusões de óptica. A tributação das mais-valias em Bolsa e a proposta de alteração aos prémios dos gestores da EDP são dois destes jogos de sombras. Primeiro porque em relação às mais-valias bolsistas falamos só daquelas que são tributadas em sede de IRS e em relação à EDP a proposta do accionista Estado na Assembleia-Geral daquela empresa estava obviamente votada ao fracasso. No primeiro caso todas as sociedades gestoras de participações e os fundos autónomos continuam a operar como antes e no segundo caso enquanto a teta escorrer abundantemente para os accionistas, pode também escorrer torrencialmente para os gestores, e em particular para o presidente, que ninguém mexe uma palha... O Estado conhece as regras do jogo do mercado e se só tem directamente 20% da EDP, porque já alienou o resto, o que esperava com esta atitude?! E o que vai fazer agora?! Legislar?! Veremos se tem coragem para o fazer! Eu acho que não tem porque estas medidas fazem parte de um certo teatro de sombras...

P.S. - By the way, paguei em Março uma bela factura de €160 de electricidade! A mais alta de sempre! É já costume no mês de Março pagar um bom bocado mais: no ano passado 120€, há dois anos €100, mas este ano ultrapassou tudo o que era expectável: €160... Isto tendo os mesmos electrodomésticos, o mesmo padrão de consumo e acrescidas preocupações economizadoras... Por acaso tenho por cá os recibos desde há 20 anos... E já me dei ao trabalho de olhar para eles... É muito fácil perante isso, perceber a razão daqueles prémios chorudos...

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29 de março de 2010

Mas onde é que está o socialismo do PS?!

O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) está aí. É inevitável. Custa-nos a todos, a uns mais do que a outros, mas não há volta a dar. O Governo não tinha alternativa. O que se discute agora - Governo, oposição e analistas - é semântica e cosmética.
Mais uma vez aqui me agoniou a forma, mais do que a substância. O truque retórico do não há aumento de impostos, há é diminuição dos benefícios fiscais, pode ser tecnicamente muito defensável, mas para o senso comum é um mero artifício de linguagem que não contribui para a aceitação das medidas mas sim para irritar os visados. Não surpreende, porém, vindo de quem vem! São os mesmos que distinguiram meta e objectivo, para justificar a não criação de emprego, e que disseram que o Estado não meteu um cêntimo no BPN...
Embora a margem não fosse grande, era possível fazer diferente, mas não a este PS e não a este Governo...
Do que veio a público, chocaram-me duas coisas:
  1. O adiamento para 2011 da proposta de tributação das mais-valias das operações em bolsa, sendo as restantes medidas para vigorar desde já;

  2. O plafonamento do montante para pagar o subsídio de desemprego e o rendimento mínimo: presumo que quando não houver dinheiro, o bolo se continue a dividir pelos mesmos mas em fatias menores até chegar à côdea.

Confesso que de per se ambas me chocam e a conjugação das duas deixa-me a pergunta: onde estará, por estes dias, o socialismo do PS?!?! Em tempos disse-se que fora metido na gaveta, hoje foi seguramente arrumado no sótão da avó por entre os trastes inúteis que um dia hão-de ir fora...

Estou certo, porém, que este plafonamento é bem capaz de marcar o fim do Estado-Social tal como o conhecemos… A partir daqui tudo será diferente...

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12 de abril de 2009

Crime económico: resultado zero

Avelino Ferreira Torres não foi condenado. Já antes outros não o haviam sido ou, sendo-o parcialmente, as penas foram ridículas: Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, etc. Perante as evidências, Isaltino Morais assume candidamente alguns factos mas penso que tudo se conjuga para que não seja condenado. Falamos, pois, apenas de autarcas. Poder-se-ia falar de outras áreas, de outros processos, de outros protagonistas que a conclusão seria mais ou menos a mesma. Existem muito poucos casos de pessoas condenadas por crimes económicos em Portugal.
A Justiça especializou-se em condenar o pequeno delito, geralmente em flagrante, mas não tem músculo, nem competência para condenar o grande delito, e em particular o crime económico, seja pelas insuficiências da lei que existe, seja pelas insuficiências de quem a aplica, seja por ambos. Se a Justiça fosse uma empresa e actuasse no mercado ou se fosse um serviço da Administração Pública devidamente escrutinado e auditado por outros serviços ou entidades independentes, já teria sido fechada, fundida ou remodelada. Qualquer indicador de eficácia ou de eficiência aplicado à actuação da Justiça neste tipo de crime, que comparasse os resultados previstos, se é que existem, com os obtidos, ou se comparasse resultados obtidos com os recursos utilizados, chegaríamos à conclusão que, a esse nível, a Justiça é absolutamente inútil e um imenso sorvedouro de dinheiro. O dinheiro que o Povo, a comunidade social que nós somos, aí coloca é um total e absoluto desperdício. Não conheço área com um desempenho assim tão fraco.
As razões podem estar e estão-no seguramente na lei e nos agentes. A inversão do ónus da prova, que permitiria, após arrolamento de bens não compagináveis com os recursos declarados, a que não fosse o Ministério Público a fazer prova de que o faltoso os adquiriu com dinheiro de proveniência desconhecida, mas fosse o próprio a ter de dizer como adquiriu esses mesmos bens seria uma ajuda. Como uma ajuda seria que investigasse o crime económico quem sabe de economia e de crime económico.
A área do combate ao crime económico entregue, tal como está, a magistrados, licenciados em Direito, ou a polícias sem formação específica nas áreas que investigam, só pode estar e estará sempre condenada ao fracasso.

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2 de novembro de 2008

Nacionalizado, nosso…

O BPN foi nacionalizado. Ouvi hoje com espanto esta notícia. Essa palavra maldita há muito que havia sido banida do léxico comum, sendo substituída pela palavra privatizado. Quero dizer desde já que, atento o que está em causa, não acho mal a intervenção do Estado. Agora, vou esperar para ver os contorcionistas, os malabaristas, os equilibristas, os trapezistas e a gente de outras especialidades circenses, depois disto, continuarem com slogans como: Menos Estado, melhor Estado, defenderem um Estado mínimo, fraco, regulador envergonhado, cobrador de poucos impostos e acantonado àquilo a que agora se chamam funções de soberania. Não duvido sequer que isto se passe. Por estes dias e com estes artistas, a desfaçatez não tem limites. E, se calhar, amanhã mesmo ainda vou ver a gente que hoje aplaude a nacionalização do BPN a defender com o mesmo afã, por exemplo, a privatização da Caixa Geral de Depósitos...

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12 de junho de 2008

Onde mais lhes dói…

Os preços das gasolinas e do gasóleo em Portugal são dos mais elevados da Europa.
Os impostos sobre as gasolinas e o gasóleo em Portugal estão na média em termos europeus.
Os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa.
Percebe-se facilmente que o que está mal nesta equação não é o ISP, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, mas os lucros das empresas petrolíferas que têm custos laborais mais baixos e margens de comercialização mais gordas.
O acordo conseguido pelo Governo com as empresas de transporte - que implicou basicamente uns benefícios fiscais, através de umas deduções do combustível no IRC, uns incentivos à troca de veículos mais poluentes por menos poluentes e umas dilações no pagamento do IVA - tem afinal – contrariamente ao que foi dito - custos pagos por todos nós. Serão menos directos do que a criação do tal gasóleo profissional, mas são custos na mesma.
Ora, o Governo teve aqui, depois do relatório do regulador que absolveu as empresas petrolíferas de suspeitas de cartelização – alguém estaria à espera de ver um ofício da GALP para a BP ou uma escuta com a voz de Faria de Oliveira ao seu homólogo da BP combinando os aumentos?! – uma oportunidade de ouro para
as penalizar de outra forma, fazendo-lhes mossa exactamente onde mais lhes dói, ou seja, no bolso, obrigando-as a reduzir as margens.

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9 de fevereiro de 2008

Onzeneiros... hoje

Onzeneiro – aquele que emprestava dinheiro a 11%; usurário, agiota.

Fala-se muito no fosso que cada vez mais separa os mais ricos dos mais pobres. Fala-se muito nos vencimentos dos gestores de topo dos bancos e das grandes empresas portuguesas. Nas indemnizações e nas reformas vitalícias que recebem quando saem. Não se fala sobre as correcções que se deviam introduzir nisso?! E menos ainda sobre o papel do Estado enquanto regulador do mercado. Fala-se é na redução do papel do Estado para entregar o que ainda lhe resta à iniciativa privada.
Atente-se nos lucros dos bancos portugueses que crescem anualmente a taxas de 20, 30% e mesmo mais. Aliás, qualquer grande empresa, quando apresenta os seus planos estratégicos, é sempre para crescer anualmente a mais de dois dígitos. Qualquer número abaixo disso é tido como pouco ambicioso. Comparativamente, os salários da grande maioria crescem de acordo com o valor da inflação ou até abaixo dele. É o mercado a funcionar, dizem!
A manter-se esta progressão, sem que social e politicamente se lhe ponha cobro, questiono-me sobre o caldo social que estamos a deixar criar-se...

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8 de junho de 2007

Mais um «esbulho» legal: os bancos, esses nossos amigos, e... os agarrados

O Governo e a sociedade clamam contra o endividamento das famílias mas pouco fazem para o limitar. Nesse endividamento generalizado – crédito para a compra de casa, de carro e de outros bens de consumo (electrodomésticos, roupas, férias) – a parcela maior é invariavelmente a primeira: o crédito à habitação. Resta dizer que ainda tenho um crédito desses. Dos outros não tenho, nem quero.
O contrato que negociei com a instituição bancária onde tenho esse crédito estabelece que posso liquidar anualmente até 50% do valor do empréstimo contra o pagamento de uma taxa de serviço de €125. Se liquidar mais de 50% num mesmo ano, pagarei, além da dita taxa de serviço, mais 2% sobre o valor da entrega. Andei às turras num processo que acabou mal com uma outra instituição bancária que me queria cobrar 7% por toda e qualquer liquidação antecipada?!?!? É verdade, 7%?!?! Por um triz, faria jus aos célebres onzeneiros vicentinos...
Os bancos querem-nos agarrados!
Quando celebrei o meu actual contrato, tinha a minha antiga casa integralmente paga mas ainda por vender, daí que tivesse particular cuidado na negociação dessa cláusula. Quando a vendi, cerca de um ano depois de pedir o empréstimo, o banco tentou demover-me de proceder à liquidação antecipada do capital, acenando-me com miríficos e rendosos produtos, numa atitude que roçou o que chamo de prática comercial agressiva. Claro que não cedi, mas tive de usar de alguma assertividade para que a minha zelosa gestora de conta me largasse a labita. As diferenças entre estas práticas e o time-sharing de rua foram mínimas: a moça estava mais bem vestida, é um facto; a abordagem foi feita entre quatro paredes e não na rua, sim senhor; a abordagem fez-se a coberto de um emblema de prestígio da finança internacional, é claro! O modo de fazer, a agressividade e o condicionamento ao cliente, porém, foram muito idênticos...
Decididamente, os bancos querem-nos agarrados!
Sabendo disto tudo, o Banco de Portugal estabeleceu, há já algum tempo, algumas regras para minorar estas práticas. Hoje é possível liquidar a todo o tempo o capital dos empréstimos para crédito à habitação e os bancos apenas podem cobrar a tal taxa de serviço e uma comissão de no máximo 0,5%. Eu acho que não deviam poder cobrar comissão nenhuma, quando muito a tal taxa de serviço e não no valor que cobram.
Então eu vou liquidar ou amortizar o empréstimo, representando um cada vez menor risco para o banco e ainda sou penalizado… Devia ser penalizado era por não pagar e não por pagar!? Por pagar, devia até ser beneficiado, eventualmente com uma redução da taxa de juro e do spread. O cliente que representa menos riscos devia ser um bom cliente mas é um mau cliente.
Um bom cliente é agora um cliente agarrado!
E o que dizer do facto de, por fazerem uma transferência da minha conta à ordem e introduzirem os novos valores nos simuladores do crédito à habitação e do seguro de vida, imprimindo um novo plano de empréstimo e uma nova apólice (aquilo é uma simples folha), operação que demora uns minutos a um funcionário e se traduz em duas folhas de papel impresso de imediato, que nem sequer assinadas são, me cobrarem €125…
Não é, pois, de estranhar, que os bancos engordem cada vez mais. Só assim é possível que, por exemplo, o maior banco privado português, o Millenium BCP, como refere A Visão da semana passada, se tenha valorizado em 5 meses – repito, 5 meses - mais de 28%. Exacto, mais de 28%! Ou seja, 13 mil milhões de euros.
Acho que está tudo dito, não?!

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27 de maio de 2007

Mais um esbulho legal: «miaus» sem recibo

Ontem fui ao veterinário com o gato da mãe. Quinze minutos, três injecções, uns medicamentos, um saco de comida: uma daquelas mixórdias ensacadas. Supostamente previne infecções urinárias e doenças associadas. Parece que os gatos castrados são mais atreitos a este tipo de complicações. O gato castrado, sou eu que digo, isto para não dizer capado. Para a minha mãe, trata-se de um gato preparado. Acho a expressão deliciosa! Preparado para quê?! Acho que o bicho não está é já preparado para mais nada! Voltando à mixórdia, como sou do tempo em que os gatos comiam peixe cozido e frito, acho tudo isto uma esquisitice. Por junto, a coisa ficou por 100 euros, certos, o que mostra bem o rigor das contas do doutor. Já em casa, dou uma vista de olhos aos medicamentos e à mixórdia. Nada de preços nas embalagens! Interrogo-me sobre se isto é legal?! Perguntei pelo recibo, só mesmo para ver, por curiosidade, quanto custou o quê. Diz-me a minha mãe: «ele não passou recibo». Eu: «então e não pediste?». Ela: «eles nunca passam!». E isto foi dito com a assertividade das sentenças sem recurso. Parece, portanto, ser prática normal dos veterinários, pelo menos dos 2 ou 3 a que a minha mãe já foi. O dito, com o qual me cruzei enquanto carregava o bichano, era uma criatura afável, urbana e sociável, de meia-idade, há muito habituado a lidar com os bichos chaperon de velhos e novos da cidade. Surpreendi-lhe mesmo algumas expressões retiradas das melhores selectas sobre a arte de ser veterinário urbano: «vamos lá ver a fera». A seguir, claro, faço a minha prédica cívica à minha mãe. Digo-lhe de chofre: «tens consciência que o homem nos roubou, a ti e a todos nós, mais de 20 euros que é o valor do IVA, não tens?!». Ela registou, mas não ficou lá muito convencida. Ladrões são os ratoneiros do metropolitano, os que roubam carteiras, não estes! É triste mas é esta a mentalidade reinante e vai demorar pelo menos mais duas gerações a mudar isto. Estou naturalmente inteiramente disponível para informar as Finanças da Pólis sobre quem é o veterinário. Aliás, fá-lo-ei sem qualquer escrúpulo de delação. Antes com a consciência de ter feito um acto cívico que, a prazo, contribuirá para melhorar a vida da Pólis.

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27 de abril de 2007

Estado(s)... da arte...

Parece que - pelas televisões da Pólis o soubemos - Carmona Rodrigues foi constituído arguido no caso Bragaparques. É sempre assim, sabemos da constituição dos arguidos ou pelas televisões ou pelos jornais. Nunca pelo canal certo, o da Justiça. O Procurador-Geral da República da Pólis, claro, nada diz sobre isto. Aliás, já em tempos disse tudo, ou seja, que não havia nada a fazer. De onde, tudo vai continuar assim. O que eu não deixo de meditar é que, por exemplo, no caso das OPA, nunca se sabe o que vai acontecer antes de realmente acontecer, no sítio certo. O mesmo se passa no caso da sucessão de Belmiro de Azevedo na SONAE e/ou noutros negócios da Pólis. Faz-se, assim, jus, e de que maneira, ao velho rifão de que o segredo é a alma do negócio. Também nesta falta de profissionalismo, de rigor, de cumprimento das mais elementares regras se vê a decadência do Estado de Direito. Hoje temos apenas o Estado da Economia e, quanto mais não seja por antinomia, merece o lugar que ocupa. É o estado da arte...

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29 de agosto de 2006

A crise?! Qual crise?

Segundo o Economia do GEPP (n.º 1763, para quem não saiba é O Expresso), o preço do metro quadrado da construção nova em Lisboa atingiu um novo recorde: 6000 mil euros, praticado nos condomínios das Janelas Verdes, junto ao Museu de Arte Antiga, e do Convento dos Inglesinhos, no Bairro Alto. Superaram-se assim os 5000 euros atingidos na Torre de S. Gabriel, no Parque das Nações, e nos Terraços de Bragança, no Chiado. O mesmo Economia do GEPP (n.º 1762) já havia revelado que o Pine Cliffs, um novo resort (já vi a palavra aportuguesada para resorto) do Algarve, pagou um milhão de euros, fora o transporte, por duas alfarrobeiras centenárias (dir-se-ia talvez milionárias) para colocar à entrada do empreendimento. Acrescente-se que as pobres alfarrobeiras – a alfarroba servia sobretudo como alimento para o gado - estão praticamente votadas ao abandono por todo o Algarve. É claro também que todos estes empreendimentos (residenciais e turísticos) são considerados topo de gama... Admite-se que os de gama média e baixa teriam, por certo, umas quaisquer palmeirinhas à entrada...
A crise?! Qual crise?

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6 de outubro de 2005

«Remédios» - do monopólio ao oligopólio

Ainda sobre os medicamentos e na mesma notícia do Expresso, Grande Educador do Povo da Pólis ou GEPP, se nota que o dito João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias da Pólis, já percebeu a mudança do vento, também no que respeita à a questão da propriedade das farmácias, sem dúvida um dos mais cretinos monopólios que se conhecem e um dos últimos resquícios do corporativismo. Totalmente em contra-ciclo com os tempos de hoje em que tal não se justifica. Nessa área tudo é, hoje, asséptico. Findos os velhos boticários que manipulavam, entre balanças, potes e medidas, compostos e substâncias, hoje os medicamentos são pré-fabricados. Têm bula. Há quem lhe chame «literatura», embora à vista desta expressão o Pólis&etc. fique com um pouco de urticária… Ou então são «aviados» com receita médica onde também vem devidamente descrita a prescrição. Parte do povo da Pólis já tem um mínimo de informação médica que lhe permite distinguir os «remédios». O Pólis&etc. pede naturalmente licença ao Dr. Paulo Portas - a única pessoa em Portugal com menos de 65 anos a utilizar essa expressão - para também a usar. Parte do povo da Pólis já sabe o que é um anti-inflamatório, um anti-pirético ou um antibiótico. O povo da Pólis sabe que nas farmácias, as mais das vezes, não é atendido por um farmacêutico e mesmo quando é, isso não lhe traz nenhuma mais-valia significativa. João Cordeiro também sabe isto. Sabe também que estes dias estão a acabar. E vai daí já disse que quer criar uma empresa que seja a maior rede de farmácias do país… Está feito, substitui-se um monopólio por um oligopólio. Nem mais. São os negócios da Pólis…
Imagem - Museu da Farmácia

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O(A) «clique» das Farmácias – entradas de leão e saídas de Cordeiro

Realmente o Expresso, cuja leitura dura uma semana, impõe-se como o grande alfobre de materiais para o Pólis&etc. Atenção que esta frase é para ser lida como um elogio ao Grande Educador do Povo da Pólis. Caramba, não é só bater no dito. E embora não pareça, o Pólis&etc. garante também que lê outros jornais... Cá vai mais uma, pois, ainda da edição da semana passada. Desta feita, na berlinda está o Grande Lobby da Pólis - ou um pelo menos um dos. Não, não falo do lobby Gay, nem da Maçonaria, nem do Opus Dei (a ordem é rigorosamente alfabética). É que nesta «coisa» de lobbys, como aliás noutras, o Pólis&etc. é um não-alinhado. Falo do lobby dos medicamentos e da todo-poderosa Associação Nacional de Farmácias, liderada por essa figura um pouco melíflua de nome João Cordeiro. Mas sem dúvida um dos grandes exemplos da Real Politik dos lobbys da Pólis. Senão vejamos. Depois de vários anos a clamar pela defesa dos doentes, pela necessidade ingente de terem o indispensável aconselhamento de um farmacêutico sempre que vão comprar medicamentos e contra a proibição de venda dos medicamentos não sujeitos a prescrição médica nos hiper e supermercados, por não existir esse aconselhamento. Eis que o Grande Educador do Povo da Pólis nos revela que o dito João Cordeiro tem já um acordo com a Jerónimo Martins para a venda deste tipo de medicamentos na cadeia de supermercados Biedronka, na Polónia. Mas, a coisa não fica por aqui. Então não é que o homem diz despudoradamente que aquilo na Polónia é experimental e que por cá é que vai ser a sério. E não satisfeito ainda afirma: «Estou convencido de que no final da legislatura vamos ser obrigados a agradecer ao Eng.º Sócrates o discurso da sua tomada de posse. Foi o clique que nos fez repensar as nossas estratégias, estávamos demasiado limitados e foi um discurso libertador». É o que se chama entradas de leão e saídas de Cordeiro… Espera-se também que o(a) clique do(a)s farmacêutico(a)s não seja semelhante ao do Manara, pois se for o Pólis&etc. já sabe – mas não revela - em que farmácia se vai postar…
São os cliques dos lobbys da Pólis…
Imagem - Amazon

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