24 de novembro de 2010

O mundo ao contrário…

Na votação da especialidade do Orçamento de Estado para 2011, o PS aprovou hoje uma alteração ao que foi definido para os cortes salariais no universo laboral público – Administração Pública e sector empresarial do Estado – que permite às empresas públicas e às entidades públicas empresariais «adaptações» desde que autorizadas e justificadas «pela sua natureza empresarial». Em sede de comissão, foi rejeitada pelo PS uma proposta do CDS que propunha a proibição de novas parcerias público-privadas e defendia a reavaliação, no prazo de três meses, de todos os contratos e das grandes obras públicas.

Errata – Na primeira linha, onde se lê PS, leia-se CDS; na sétima linha, onde se lê PS, leia-se CDS, e onde se lê CDS, leia-se PS.

Note-se que tento fazer humor para sublimar na escrita os impropérios que disse quando ouvi o pau-para-toda-a-obra que é Jorge Lacão dizer isto. E dentro do PS ninguém diz nada?! E dentro do PS ninguém se indigna?! E ainda se admiram que as taxas de juro da dívida pública aumentem! Isto era o tipo de coisa que o FMI nunca faria, pelo que venha e o mais rapidamente possível!
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29 de setembro de 2010

Nesta noite 2

No que foi anunciado esta noite, reduzem-se os salários dos trabalhadores da Administração Pública superiores a €1500, mas não se reduzem as reformas superiores a esse valor. Isto quando se sabe que mais facilmente um reformado com mais de €1500, que muito provavelmente já não terá, por exemplo, grande parte do rendimento hipotecado à compra de casa, encaixa uma quebra dessas.
Para quem está no activo e trabalha na Administração Pública, o ano que aí vem poderá mesmo ser o da tempestade perfeita. É que internamente, perde substancialmente rendimento por via do efeito conjugado de vencimento/caixa geral de aposentações/ADSE/benefícios fiscais e IVA, e externamente, se a economia melhorar, o que não é difícil, sobem as taxas de juro, trazendo consigo o aumento da prestação da casa.
E, em abono da coerência da acção do Governo, ontem foram negociadas promoções na PSP! Há uns meses soubemos que o mundo mudava em 15 dias, agora o País mudou de um dia para o outro!

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Nesta noite 1

Deixo de lado, nesta noite, aquilo que mais directamente me irá afectar no imediato e vai ser muito e em várias frentes: vencimento, caixa geral de aposentações, ADSE, benefícios fiscais e IVA. O que verdadeiramente me desgosta e me enoja é a transferência do Fundo de Pensões da PT para a Segurança Social.
Aliás, o vencedor da noite é a PT, neste que será seguramente um ano dourado. Vendeu a participação na Vivo por um balúrdio, sem pagar qualquer mais-valia – que eu se vender uma simples propriedade pago –, e agora livra-se do Fundo de Pensões que seguramente seria um cancro durante décadas.

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5 de junho de 2010

Peões de brega a propósito da PT

Há uns anos, vi um impante Belmiro de Azevedo a subir, às 8h00, as escadas da Assembleia da República (AR), creio que para prestar declarações a uma comissão parlamentar, dizer aos jornalistas que só àquela hora é que podia lá estar… Belmiro impôs a hora para ir à AR e a AR acedeu… Não foi uma visita de deputados à Sonae, foi uma visita do presidente da Sonae à AR. Foi um pequeno episódio, mas sintomático. A AR ajoelhou na sua própria casa.
Pelo meio, vi muitos outros episódios. Outro, também pequeno, mas igualmente sintomático. O nosso Primeiro-Ministro, já José Sócrates, qual vendedor de Bimby, apresenta, creio que em pleno Parlamento venezuelano, o computador Magalhães, manuseando o equipamento e dizendo que até os assessores dele o utilizavam… O poder político ao mais alto nível serve ao mais baixo nível o poder económico...
Há uns dias, o Governo, qual peão de brega, ameaçava usar a sua golden-share na PT para inviabilizar a compra pela Telefonica da participação da PT na Vivo, afirmando a importância estratégica da empresa para a economia nacional e a importância da Vivo na estratégia de internacionalização da PT. Hoje, perante a subida da parada, parece fechar-se em copas e remeter o assunto para os accionistas. Afinal, a importância estratégica era apenas o preço, do qual, aliás, o Estado só indirectamente, por via da CGD, beneficiará.
Enquanto isso, o Povo escolhe os políticos como alvo de eleição, aplaudindo pequenas medidas demagógicas como a da redução dos salários dos políticos. Obviamente que ao não se dignificarem os políticos se põem a jeito! Obviamente que quanto mais atirarmos sobre eles, mais fracos eles serão. Mais peões de brega de cavaleiros e de toureiros-artistas, ou seja, daqueles que fazem a lide, matam o touro e no final recebem os louros…

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22 de maio de 2010

Do lado da receita…

Por estes dias todos os que trabalham para o Estado quase sentem vergonha. Prestam um serviço à comunidade, asseguram organizações essenciais ao nosso viver colectivo. Infelizmente, não são nem valorizados, nem acarinhados. Infelizmente também, desde logo, a começar pelo patrão: o Governo. Pelo contrário, são tratados como párias que vivem à mesa do Orçamento. É expressão muito em voga por estes dias. Também se diz que têm privilégios?! Outra palavra em voga. Quando se pergunta quais: fala-se na ADSE, no emprego para toda a vida (como se ter emprego fosse um privilégio). Mesmo os intelectualmente mais desonestos - e há-os -, pouco mais conseguem desenterrar como privilégios, porque não há mais nada para desenterrar. Muitos dos que chamam a isto privilégios talvez trabalhem em empresas que lhes atribuem salários em média superiores aos públicos, viatura, cartão de crédito, seguro de saúde, seguro de vida, etc. Mas aí não são privilégios, aí é normal, são privados e ninguém tem nada com isso. Mesmo que todos paguemos isso – e pagamo-lo certamente – na factura dos serviços e/ou dos bens que eles produzem.
Por estes dias, a falta de vergonha não conhece limites...
Muitos desses caceteiros, que se dizem privados e defensores do mercado, exigem ao Estado, sem um pingo de vergonha, tudo o que podem e sugam-no de todas as formas e feitios. Sugam-no com a economia paralela que vale vários pontos do PIB e sem a qual não haveria défice, sugam-no com as operações em offshores no qual fogem à tributação fiscal, sugam-no com a desenfreada fuga ao fisco das mais variadas maneiras, deduzindo não o que devem mas tudo o que podem até aos mais recônditos limites da lei, sugam-no criando contabilidades criativas ou até mesmo paralelas, sugam-no com os pedidos de subsídios por tudo e para tudo, sugam-no com os mais diversos benefícios fiscais, sugam-no com os pedidos de apoios directos e indirectos, a fundo perdido ou com linhas de crédito especiais, sugam-no com IRC de pacotilha, sugam-no com pseudo-empresas monopolistas, sugam-no com as declarações de prejuízos anos a fio e não admitem sequer pagar o PEC (Pagamento Especial por Conta), sugam-no com as ruinosas parcerias público-privadas, contratos leoninos em que o Estado aliena espaços, instalações e serviços públicos a troco de um prato de lentilhas e em que quando há lucro fica nos tais privados e quando há prejuízo fica no Estado, etc., etc.
Por estes dias, a falta de vergonha não tem limites.
E dizem à boca cheia que há muito a fazer do lado da despesa – e acredito que haja, desde logo acabando com essa vergonha que são as parcerias público-privadas – mas, a contra-ciclo o digo, há ainda mais a fazer do lado da receita...

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3 de maio de 2010

Sombras chinesas

Em matéria de receita, os tempos parecem ser de atirar em tudo o que mexe. Parecem! Porque na verdade, há muitos jogos de sombras chinesas, puras ilusões de óptica. A tributação das mais-valias em Bolsa e a proposta de alteração aos prémios dos gestores da EDP são dois destes jogos de sombras. Primeiro porque em relação às mais-valias bolsistas falamos só daquelas que são tributadas em sede de IRS e em relação à EDP a proposta do accionista Estado na Assembleia-Geral daquela empresa estava obviamente votada ao fracasso. No primeiro caso todas as sociedades gestoras de participações e os fundos autónomos continuam a operar como antes e no segundo caso enquanto a teta escorrer abundantemente para os accionistas, pode também escorrer torrencialmente para os gestores, e em particular para o presidente, que ninguém mexe uma palha... O Estado conhece as regras do jogo do mercado e se só tem directamente 20% da EDP, porque já alienou o resto, o que esperava com esta atitude?! E o que vai fazer agora?! Legislar?! Veremos se tem coragem para o fazer! Eu acho que não tem porque estas medidas fazem parte de um certo teatro de sombras...

P.S. - By the way, paguei em Março uma bela factura de €160 de electricidade! A mais alta de sempre! É já costume no mês de Março pagar um bom bocado mais: no ano passado 120€, há dois anos €100, mas este ano ultrapassou tudo o que era expectável: €160... Isto tendo os mesmos electrodomésticos, o mesmo padrão de consumo e acrescidas preocupações economizadoras... Por acaso tenho por cá os recibos desde há 20 anos... E já me dei ao trabalho de olhar para eles... É muito fácil perante isso, perceber a razão daqueles prémios chorudos...

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12 de junho de 2008

Onde mais lhes dói…

Os preços das gasolinas e do gasóleo em Portugal são dos mais elevados da Europa.
Os impostos sobre as gasolinas e o gasóleo em Portugal estão na média em termos europeus.
Os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa.
Percebe-se facilmente que o que está mal nesta equação não é o ISP, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, mas os lucros das empresas petrolíferas que têm custos laborais mais baixos e margens de comercialização mais gordas.
O acordo conseguido pelo Governo com as empresas de transporte - que implicou basicamente uns benefícios fiscais, através de umas deduções do combustível no IRC, uns incentivos à troca de veículos mais poluentes por menos poluentes e umas dilações no pagamento do IVA - tem afinal – contrariamente ao que foi dito - custos pagos por todos nós. Serão menos directos do que a criação do tal gasóleo profissional, mas são custos na mesma.
Ora, o Governo teve aqui, depois do relatório do regulador que absolveu as empresas petrolíferas de suspeitas de cartelização – alguém estaria à espera de ver um ofício da GALP para a BP ou uma escuta com a voz de Faria de Oliveira ao seu homólogo da BP combinando os aumentos?! – uma oportunidade de ouro para
as penalizar de outra forma, fazendo-lhes mossa exactamente onde mais lhes dói, ou seja, no bolso, obrigando-as a reduzir as margens.

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27 de abril de 2008

Passa ao outro e não ao mesmo...

Faço natação duas vezes na semana. A piscina é pública mas a gestão é privada. A segurança também é privada. Temos, então, três entidades envolvidas na coisa: uma, pública, proprietária da infra-estrutura. Outra privada, para gerir o serviço. Outra ainda, também privada, para assegurar a vigilância. Gostava imenso de saber quais são os valores envolvidos nisto para perceber se não seria mais rentável a entidade pública assegurar também a gestão e a vigilância. Tenho uma ideia, claro, mas deixemos isso. Embora ache que o Estado se está a retirar demasiado de muitas funções e a alienar outras para as entregar, por pura ideologia, aos privados, não tenho sobre isso qualquer preconceito original. Quero é qualidade de serviço, quer seja público, quer seja privado. Mas também não sou dos que acha - do que conheço e lamento imenso dizê-lo - que o sector privado preste globalmente melhores serviços do que o sector público.
Num dia destes, fui à piscina já encostado aos limites do horário. Fiz os meus 45 minutos da praxe, tomei banho e saí cerca de 15 minutos para lá da hora. Note-se que, da hora para a frequência da piscina, não da hora para sair das instalações. Pois há sempre um hiato entre a saída da piscina e a saída das instalações. E que tem a ver com a permanência no balneário para tomar banho, vestir, secar cabelo, arrumar as coisas, etc. Um pouco à semelhança dos supermercados. Fecham no horário estabelecido. Não deixam entrar mais ninguém, mas os que estão acabam as suas compras, pagam e vêm-se embora.
À hora da saída, a recepcionista já não estava. E eu precisava de recuperar o meu cartão, trocando-o pelo cartão do cacifo do balneário. Questionei o segurança que me disse: «eu aí [no balcão da recepcionista] não entro». Questionei uma segunda vez e levei com idêntica resposta. Sem mais, entrei pelo balcão e dirigi-me, sob o olhar do segurança, que não fez qualquer esforço para o impedir, ao local onde estavam os cartões, recuperei o meu e saí. Pelo meio, soltei uns comentários sobre a excelência do serviço mas o homem nem tugiu, nem mugiu. Acho que nem sequer percebeu o alcance dos mesmos. Para fazer o que ele (não) fez, um cão serviria perfeitamente e saía seguramente bem mais barato à empresa de segurança…
Ora este tipo de comportamento, que nem sequer vou comentar ou dissecar, por não valer a pena, não se regista hoje nem nos piores serviços públicos que conheço…

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9 de fevereiro de 2008

Onzeneiros... hoje

Onzeneiro – aquele que emprestava dinheiro a 11%; usurário, agiota.

Fala-se muito no fosso que cada vez mais separa os mais ricos dos mais pobres. Fala-se muito nos vencimentos dos gestores de topo dos bancos e das grandes empresas portuguesas. Nas indemnizações e nas reformas vitalícias que recebem quando saem. Não se fala sobre as correcções que se deviam introduzir nisso?! E menos ainda sobre o papel do Estado enquanto regulador do mercado. Fala-se é na redução do papel do Estado para entregar o que ainda lhe resta à iniciativa privada.
Atente-se nos lucros dos bancos portugueses que crescem anualmente a taxas de 20, 30% e mesmo mais. Aliás, qualquer grande empresa, quando apresenta os seus planos estratégicos, é sempre para crescer anualmente a mais de dois dígitos. Qualquer número abaixo disso é tido como pouco ambicioso. Comparativamente, os salários da grande maioria crescem de acordo com o valor da inflação ou até abaixo dele. É o mercado a funcionar, dizem!
A manter-se esta progressão, sem que social e politicamente se lhe ponha cobro, questiono-me sobre o caldo social que estamos a deixar criar-se...

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17 de novembro de 2007

Mais excelência?

O meu cartão multibanco (MB) de combate, aquele que é usado no dia a dia para as pequenas despesas, deixou de funcionar na rede do meu banco e nalguns terminais de lojas. Funcionava perfeitamente nas máquinas da rede SIBS. Fui a um balcão que me fica em caminho para resolver o problema. Para mal dos meus pecados, fui atendido por uma funcionária incompetente. Estava lá também uma colega, mas infelizmente tocou-me mais uma vez em sorte aquela que já conheço de outras andanças. E não gosto. É uma criatura de meia-idade. Terá talvez uns 55 anos. Pequena e anafada. Rosto redondo, algo vermelhusco, cabelo mal tratado e mal penteado. Uns óculos de meia-cana com aquele horroroso penduricalho que se usa ao pescoço para que não caiam completavam o quadro. É uma pessoa formalmente atenciosa, formalmente educada, e mesmo com alguns ademanes e maneirismos de uma artificial e antiquada afectação. Esses são, porém, os seus defeitos mais benignos. O pior é que é ineficaz. E tem um defeito maior, para mim capital, é estupidamente opiniosa. Fala do que não sabe e não tem ponta de sentido crítico. Além disso, defende o banco, mesmo as maiores cretinices, com a irracionalidade do cão de fila. É bem intencionada mas é burra. E não sabe sequer o que é um cliente.
Exponho a questão e começa o folclore. A criatura detém-se largos segundos a observar o cartão, à contraluz, à luz, vira e revira, com um olhar meio bovino mas a dar-se ares de perito forense em bocados de plástico. E remata em jeito de diagnóstico absoluto da perícia: «a banda está riscada». Vislumbrei o escopo último do comentário. A criatura estava a tentar imputar-me as culpas pela anomalia do cartão. Quem sabe até se eventualmente mesmo a tentar que eu arcasse com os custos. Olho para o cartão para, enfim, tentar perceber se a criatura tinha razão. E não tinha. Digo-lhe que não, que não vejo nada. De raça teimosa, a dita insiste: «Então não vê, nesta ponta?». E eu: «Não vejo absolutamente nada de diferente entre uma e a outra extremidade da banda!». Com alguma paciência argumentativa, digo à criatura que o cartão tem poucas semanas e umas escassas - vá lá - dezenas de movimentos. Teimosíssima, a criatura não se demove e volta a carga de forma quadrúpede. Que isso não importava, disse. Que o problema não estava em mim mas nos estabelecimentos comerciais que têm as máquinas MB e não as mandam limpar, porque a manutenção é cara e não sei que mais. Decidi, então, expor ao seu olhar forense os vários cartões que trago na carteira, todos eles com mais riscos na banda magnética do que aquele que devolvi. Um deles mesmo, de acesso a uma garagem, de aspecto surrado resultante dos maus tratos de 7 anos ininterruptos de carteira e que ainda hoje funciona. A criatura decidiu não insistir mais, passando à fase da resolução do problema. Exactamente aquela por onde devia ter começado. Sacou de um impresso e pediu-me que o preenchesse. E no final, lá estava a sacrossanta frase: «autorizo o débito na conta da importância referente à substituição do cartão» ou paleio equivalente. Não é pela importância, que é despicienda, mas sim pela atitude da criatura e do banco que tudo aproveita para esbulhar. Digo-lhe então com ar suficientemente peremptório: «Olhe que eu não vou pagar este cartão!». E ela: «Não paga nada». E eu: «Não é isso que diz na frase final onde eu depois vou assinar». E ela: «Mas tem um quadradinho para optar 'Sim' ou 'Não'». E eu: «Não tem absolutamente nada». Olhando para o impresso, faz um trejeito com o olhar como quem diz: «Burros! Que não puseram o quadradinho!». E nunca: «Olha! Não reparei que não tinha o quadradinho!». E diz-me: «Então coloque ‘Não autorizo’ na frase». E lá foi aquilo com um «Não» manuscrito. Ou seja: «NÃO autorizo o débito na conta da importância referente à substituição do cartão»?!?!?! Fantástico! Podia ter-me aconselhado simplesmente a riscar a frase, mas nem sequer isso lhe ditou a inteligência.
E é esta a excelência que nos tentam impingir…

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10 de novembro de 2007

Limpezas

Li, não sem algum espanto, no Grande Educador do Povo da Pólis (também conhecido por Expresso) de hoje que nas facturas a pagar pelo Estado para 2008, os serviços de limpeza na Administração Pública Central já custam 58,8 milhões de euros, praticamente o mesmo que, por exemplo, as viagens e as deslocações (60,6) e um pouco menos do que o material de escritório (76,2)...
Gostaria imenso que os putativos defensores dos outsorcings, recentemente rebaptizados de externalizações, me dissessem quanto custaria esse mesmo serviço prestado pelas chamadas serventes que antigamente existiam nos quadros do Estado e que, aliás, ganhavam miseravelmente...
E ainda se a qualidade melhorou... E, já agora, que tipo de controle têm os serviços do Estado nessas hordas de gente que lhes limpam o chão, as secretárias e os vidros dos seus edifícios fora de horas, acedendo a todo o tipo de informação neles existentes...
Estou, é claro, de espírito totalmente aberto nisto. E sem qualquer programa ideológico pró-Estado... Se for mais barato e melhor que se mantenha, mas já agora que conhecessemos os números... Talvez fosse interessante, a bem de uma real comparabilidade e efectiva concorrência, que metade dos organismos tivesse um regime e a outra metade outro...
É claro que para eliminar isto, esses putativos defensores dos outsourcings, recentemente rebaptizados de externalizações, criaram a figura do core business, ou área de negócio, a qual curiosamente não vejo aplicada com tanto zelo em muitas empresas...

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3 de novembro de 2007

Onde está a excelência?

Estou cansado de levar com a ideia de que o Privado é bom e o Público é mau. Mais: que o Privado é de excelência e o Público é mau. Olho, perscruto, e não encontro a tal excelência. Devo ter azar. Faço natação num organismo público. As mentes que governam a piscina decidiram este ano recorrer ao outsourcing. Ou, como agora também se diz, à externalização. Já entregue a exploração ao sector privado, pedi um horário. Deram-me uma coisa mal amanhada a que chamaram horário. Tive, desde logo, dificuldade em consultar e interpretar o dito horário. Questionada, a empresa teve as mesmas dificuldades. O problema podia ser meu, mas não era. Além das insuficiências de concepção, havia um horário incorrecto. Assinalei o facto há semanas. Mas lá continua hoje, ostentando o erro. A fotocópia era ranhosa e como aquilo foi feito a cores e tem sombreados, a fotocópia a preto e branco é um amontoado informe e ininteligível. No momento de pagar, constatei que não tinham Multibanco. Pois, sim senhor, que eu tinha razão, mas que ainda não estava instalado. Passo cheque. Resultado da arteroesclerose precoce ou da falta de hábito – penso que ainda não do analfabetismo funcional – escrevo o montante na linha do «à ordem» e a entidade na linha da «quantia». Não me apercebi, quem recebeu também não. O cheque foi para o banco e voltou para trás. Falamos de um cheque de pouco mais de 100 euros. Será que o banco não tem o meu número de telefone para confirmar se passei ou não aquele cheque?! Passei um novo. E ainda assisti, pasmado, ao rapaz da tal empresa passar-me um recibo manual, tendo um PC e uma impressora à frente. Ah! Mas utilizou a calculadora do PC para fazer as contas...
Onde está a excelência da empresa que gere a piscina e já agora a excelência do meu banco. Dão-se alvíssaras.

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1 de junho de 2007

Mais um esbulho legal: onde está o meu dinheiro?

Ontem fiz uma transferência interbancária de uma conta minha numa instituição bancária para outra conta minha numa outra instituição bancária. Calha que ambas distem uma da outra aí uns cinco minutos a pé. Se pegasse no dinheiro e o lá fosse levar, mesmo estando à espera em ambos os balcões, não levaria mais de meia hora a fazê-lo e ficaria logo disponível.
Porém, hoje de manhã, 24 horas depois, ainda não tinha lá o dinheiro. Isto com toda a parafrenália tecnológica de que a banca dispõe… Diz-se até que o chamado homebanking da banca portuguesa é avançadíssimo e ao nível do que de melhor existe na Europa…
Calhou também que um amigo meu, que trabalha no Banco de Portugal, me tenha falado há já algum tempo – vendo literalmente ao preço que comprei, já que sou um leigo nestas matérias - em algo a que chamou aplicações overnight. Segundo ele, são operações por um dia útil. Ou seja, no período de limbo, que medeia entre uma ordem do cliente para um pagamento, transferência ou o que seja, os bancos aproveitam para colocar aquele dinheiro em aplicações financeiras de curto prazo. Mesmo que isso se passe no período em que a instituições bancárias estão encerradas. Nesse caso, fazem-no em mercados de capitais distantes, aproveitando as diferenças de fusos horários. E só disponibilizam o dinheiro no destino no limite do prazo legal ou administrativo ou até depois dele… Ninguém reclama por umas horas a mais…
Este prazo, que era em tempos não muitos distantes de três dias, é agora – parece-me - de um dia… isto porque o Banco Central descobriu o que todos já sabíamos, ou seja, que havia gente seriíssima a ganhar dinheiro com o nosso dinheiro… Apropriavam-se dele, sem autorização, e aplicavam-no, sem nos darem quaisquer dividendos, por uns dias ou por umas horas...
Calhou agora lembrar-me destas situações!
Sobre a presente, e mesmo com a mudança recente no prazo, gostava imenso de saber por onde andou o meu dinheiro. Facto é que entre ontem e hoje ele mudou de posse, embora nunca tenha mudado?!?!?! E isto – claro está - é tudo legalíssimo…

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16 de março de 2007

Trilogia da PSP: a interpretação

A Sony não tem assistência técnica em Portugal, pela simples razão de que lhe sai mais barato substituir um produto usado, que custou 220 aérios, por um novo, a um custo de 90 aérios. De onde facilmente se deduz que o preço unitário por consola fique muito, mas muito mesmo, abaixo dos 90 aérios da substituição. Isto porque não é crível que com a segunda transacção a Sony perca dinheiro. Além de que fideliza o cliente para a vida e este convence-se de que, com o segundo negócio, está a fazer um grande negócio! Sabe-se que a mão-de-obra na China, onde aquelas coisas são fabricadas, é mal paga e não tem direitos. E, mesmo com transporte, taxas e impostos diversos, margem de lucro do comerciante e etc., ainda assim lhe sai mais barato... Um verdadeiro negócio... da China...

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Trilogia da PSP: o desfecho

Manhã do dia do julgamento arbitral, marcado para a tarde: telefonema de um advogado da Sony. Pela voz, seria rapaz para ter entre 28 e 35 anos. Imagino, pela voz e pelo estilo, um yuppie de crescimento rápido. Muitas hormonas em pouco tempo e ei-lo chegado a um peso que se percebe depois que é só água. Falta-lhe músculo. Faltava-lhe, aliás, quase tudo: savoir faire e saber estar socialmente, pelo menos ao telefone. Mentalmente imaginei uma figura com um fato Armani ou similar e botões de punho com design de criador. Porém, quando abria a boca, ficava só mesmo o fato Armani ou similar e os botões de punho e percebia-se que ficava ali melhor um pronto-a-vestir da rua dos Fanqueiros e uns botões de punho de prata dourada, daqueles que se colocam por cima dos botões. Diria que se tratava de alguém com uma educação social básica mas sem qualquer polimento pessoal. Alternava os «por favor» e os «obrigado» com os «eh pá» e o «eh pá, vamos lá ver». Esclareça-se que os «eh pá» e os «eh pá, vamos lá ver» eram usados quando ele começava a perder o pé à conversa. Além disso, e pior que isso, era pouco profissional. Não havia lido a minha carta mas apenas o documento do Centro de Arbitragem. E só trazia uma proposta. Não estava sequer preparado para contrapropostas ou cenários B. Não o queria para trabalhar comigo. Após alguma conversa, diria da treta, a proposta era, eu pagava 30 euros e a Sony dava-me uma consola nova. Expliquei-lhe que sendo essa uma solução razoável há dois meses, agora já não era e que esperaria pela decisão do juiz. Porque estava farto da Sony e não queria ter mais nada a ver com a Sony. E nada me garantia que, acontecendo o problema novamente, eu não tivesse os mesmos aborrecimentos, já que a regra absurda e abusiva permanecia e que este era para mim um problema de cidadania e de correcção de uma prática comercial abusiva que eu gostaria até que fosse extrapolado do meu caso para o geral, de onde esperaria a decisão do juiz. Embrulhou-se numa resposta sobre os altos custos da reparação. Ao que eu lhe perguntei se pelo menos existia um centro de assistência técnica da Sony em Portugal? Não soube responder. Pareceu-me que ele só conhecia aquele caso e não conhecia mais da Sony do que os televisores, o AXN, et pour cause as consolas. Apesar de apenas contratado pela Sony e de não pertencer à empresa, devia-se ter informado minimamente. Há que fazer o TPC! Já não digo fazer como os jogadores de xadrez: antecipar várias jogadas, suas e do adversário. Depois de alguma conversa, de parte a parte, para encher pneus, avanço uma contraproposta: eu entregava o equipamento e recebia o dinheiro do mesmo, deduzidos os 30 euros do custo da reparação, ou seja, do dano que causei, de acordo com a avaliação da Sony. O pobre não tinha sequer pensado nesta proposta. Pediu-me, então, 20 minutos e que já me ligava. Foi falar com o patrão. Se mais não houvesse, via-se, por aqui, o modo amador como preparou a negociação e o elevado grau de autonomia negocial de que dispunha. Ligou-me com nova proposta: substituição da consola por uma consola nova, sem quaisquer custos. Porém, com um tom e uma outra expressão velada de quem diz: «estragaste e não vais pagar mas nós assumimos tudo». Do lado de cá, disse-lhe: «ó doutor» – alterei o tratamento de sôtor, que tenho por mais respeitoso, para o de «ó doutor», que é uma fórmula mais polida de me colocar ao nível do «eh pá» - «quero que saiba que a Sony não me está a fazer nenhum favor e que eu aceito a proposta, por ser um mal menor, mas que o meu desejo era mesmo pagar o dano que causei e entregar a consola, porque a Sony enquanto empresa deixou de me merecer qualquer confiança e que neste momento compro mais facilmente um equipamento num comerciante de feira do que na Sony». Não houve resposta ou houve uma não-resposta: «posso, então, fazer um fax para o Centro de Arbitragem a dizer que chegámos a acordo». Era só o que pobre queria saber. Resposta: «Pode»
P.S. – Bem, titulei este poste como o desfecho mas espero não ter sido cedo demais: o pobre pediu-me para lhe ligar para acertarmos os detalhes práticos da troca. Liguei e disse-me que ainda não tinha falado com a Sony… E que me ligava, mas não ligou… Além de a empresa ser má, os advogados que arranja também não são melhores… Estão, aliás, muito bem uns para os outros…

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Trilogia da PSP: o início

Comprei uma consola PSP em Dezembro passado. Oferecia-a no dia de Natal. O destinatário, por descuido, inabilidade, ou ambos, fez o favor de, no primeiro contacto com o equipamento, danificar – leia-se partir – uma dobradiça da portinhola dos CD e soltar do sítio uma peça metálica de encaixe dos CD. Começa, então, o périplo. Contacto a assistência ao cliente da Sony e dizem-me que não reparam a consola, mas que apenas trocam a consola por uma nova, contra o pagamento de €90. A consola custou €220. Com a paciência evangélica que inicialmente me caracteriza nos primeiros contactos com as empresas da Pólis, perguntei, então, se isso constava das condições de garantia e de venda do equipamento. Ao que me disseram que não mas que era a política de empresa. Ao que eu retorqui que nunca tinha ouvido falar de tal sistema de substituição e que o normal seria existir uma assistência técnica que reparasse o bem a um preço inferior a metade dele. E acrescentei que sendo essa política vantajosa para equipamentos com muito uso era ruinosa para quem nem uma única vez utilizou a consola. Resposta: que era a política da empresa. Quando a cassete rebobina e volta ao princípio e a conversa entra na fase de estribilho de música, passo, então, à fase de colocar hipóteses de trabalho. É um processo maiêutico, destinado a levar as mentes a pensar e a perceber a pouca razoabilidade das regras que preconizam: «Imaginemos que uma marca de automóveis fazia o mesmo: eu adquiria um automóvel novo; no dia seguinte danificava uma das portas e a marca respondia que só me poderiam dar um novo, contra o pagamento de cerca de 50% do valor do mesmo!». A comparação, sendo lógica, não demoveu a criatura que me atirou com o estribilho: «são estas regras; é esta a política da empresa». Passo, então, à fase de pré-litigância. Peço o endereço de mail para efectuar a respectiva reclamação. Resposta: «não temos mail». Como?! A Sony não tem endereço de mail para reclamações?!?! Resposta: «Não, apenas fax». Pergunto, então, com ar cândido, se não estou a ligar para a Sony, a empresa que fabrica equipamentos electrónicos?!?! É a fase da pré-litigância jocosa, que ilude a irritação e o espanto de antever que mesmo a reclamação não vai dar em nada, porque aquela gente nem sequer habituada a lidar com reclamações está. Sem fé, uso o fax e a reclamação lá segue. Quinze dias depois, na ausência de resposta, telefono para saber em que pé está a dita. Que não sabe, que vai ver. Vê e atira-me com uma resposta imperial: «tenho a informação de que não vai ter resposta, porque a resposta já está dada: não há reparações, apenas substituição da consola contra a entrega de 90 euros». Pergunto-lhe, aí já sem ar cândido, porque é que, então, não me disseram que não valia a pena sequer fazer a reclamação. «Isso não lhe consigo dizer». Atinjo o grau de tolerância zero com a Sony e passo à fase da litigância aberta. Entrego uma exposição ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo, que enceta, debalde, contactos com a Sony, não obtendo melhores resultados do que eu… Aquilo é uma parede. É como falar para um dos televisores que eles produzem. Mas há lá pessoas atrás daquilo… Dizem?! É então marcado o julgamento arbitral…

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13 de março de 2007

Foco no cliente

Li esta semana na Visão uma entrevista com Henrique Granadeiro. E no meio dos vários chavões da arte de ser empresário na Pólis lá vem a abominável expressão: «colocar o foco no cliente». Estou cansado de ouvir passar estas frases feitas, para épater le bourgeois, mas com escassa ou nula correspondência com a realidade. O foco é no lucro e nos resultados, não é, nem nunca foi no cliente. Então nos operadores de telecomunicações nem se fala. Basta ligar para os famigerados call center para se perceber que nada é mais errado. Geralmente e após um périplo por vários menus sonoros, com o correspondente clicar de teclas, lá nos aparece um dos operadores, por norma jovens com lógicas binárias de raciocínio, formalmente bem educados, mas de atitude e postura lisas, apenas preparados para responder de forma estereotipada à meia dúzia de questões-tipo que estudaram e que foram pensadas por alguém na retaguarda. Nem o Orwell congeminaria isto tão bem! Não pensam, agem. Não se interrogam, executam. Abono o mais recente exemplo do tal foco no cliente sucedido comigo. Adquiri há dois anos um PC numa loja da cadeia BEEP. O PC tem três anos de garantia. Avariou o gravador de DVD/CD. Telefonei para a loja, sinal intermitente, indicação de número errado. Atiro-me à net: apenas uns esparsos rastos de lojas BEEP... Uma sobrevivente em Almada ainda ostenta aquele logótipo! Após um telefonema: pois, que não, já não é BEEP; que a BEEP já não existe, que foi comprada pela SOLBI... Ligo para a SOLBI, onde me dizem com a maior desfaçatez: «se o seu PC disser City Desk ou SOLBI nós assumimos a reparação, dentro do período de garantia, se disser DATALOGICA, terá de contactar Espanha»«Alô, Espanha!», penso eu, mas digo: «bem e se o PC disser DATALOGICA e eu chego a Espanha e me dizem para contactar Taiwan ou a China, onde provavelmente os PC são fabricados?!». Do outro lado leio um certo desconcerto, a pergunta é de tipo A e ela só está preparada para responder às de tipo B... uma voz lisa, que nem sequer percebe completamente a ironia e leva tudo ao pé da letra, diz-me que «são as ordens de Espanha»... «Alô, Espanha!», penso eu outra vez. E o problema maior é que isto é dito como se de algo perfeitamente óbvio e normal se tratasse… Claro que o PC dizia DATALOGICA… Vou mandá-lo reparar, para não me aborrecer mais e porque preciso da unidade de gravação de DVD/CD em funcionamento imediato, mas entretanto já enviei uma reclamação para o Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo… Que aliás já lá tem uma queixa minha, que irá a julgamento em breve, esta da Sony: outro empório que tem o cliente como foco… Estou farto de ser cidadão da Pólis… E custa-me mais – em tempo e descanso do espírito – estas pelejas do Alecrim e Manjerona com as empresas da Pólis, do que me custaria pagar o raio do PC e o raio da consola…

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2 de setembro de 2006

Esbulhos legais

Somos diariamente confrontados com notícias sobre pequenos roubos perpetrados pelos pequenos larápios da Pólis: a carteira no metropolitano, a mala por esticão numa qualquer esquina, o telemóvel no café, a roupa da marca à saída da escola… E todos nos indignamos… Curiosamente indignamo-nos menos com certo tipo de esbulhos capciosos mas perfeitamente institucionalizados.
A fechadura do tampão de gasolina do meu carro avariou.
Dirijo-me a um concessionário da marca. Já agora tratemos os bois pelo nome: a marca é a Volkswagen (VW) e o concessionário é a Auto-Latina, em Lisboa. Na Secção de Peças explico a situação. Resposta: «não vendemos só o canhão, tem de comprar o kit completo: canhão e tampão». Deixo encomendado. Vou buscar. Valor da peça: €43,26.
É necessário adaptar a chave ao canhão. Digo que sim. Vou buscar. Valor da adaptação: €51,06, correspondentes a uma hora de mão-de-obra, à módica quantia de €40 a hora, a que acresce €2,20 de uma taxa referenciada do seguinte modo: «tratamento e recuperação de resíduos». O acento desta última palavra é meu, porque o programa de facturação da Auto-Latina tem graves deficiências de Português e só acentua algumas palavras, mas funciona bem nas somas e nas multiplicações… Nem questionei o valor da mão-de-obra, embora este seja manifestamente exagerado, quer em termos absolutos, quer em termos relativos: configurar uma pequena fechadura não demora certamente uma hora de trabalho. Porém, não deixei em branco os tais €2,20 do «tratamento e recuperação de resíduos»: «Mas sou eu quem fica com o tampão». Resposta pronta do funcionário: um jovem executivo de oficinas-auto, espécie de oficial de liasion entre o cliente e a oficina, bem apessoado na sua camisa e gravata, cordial mas com aquela manha canina na defesa da empresa (um jovem de sucesso, já se vê!): «É que em Portugal tudo tem de ser reciclado, mesmo as peças mais pequenas». Esbocei o meu melhor sorriso de escárnio, mostrando-lhe bem que não acreditava na coisa. Mas não retorqui. Estava com pressa e em dia de não me aborrecer.
Algumas conclusões deste edificante episódio:

1.º Dever-me-ia ter sido vendido apenas aquilo de que precisava: o canhão e não o canhão e o tampão;
2.º A adaptação da fechadura à chave não levou uma hora de trabalho;
3.º O valor do trabalho-hora é obsceno: €40 hora para alguém que trabalhe 7 horas perfaz €280 dia e €6160 mês, livre de impostos, pois sobre este valor ainda paguei IVA;
4.º O valor de €2,20 do tratamento e recuperação de resíduos sendo adequado para a substituição de peças em que a oficina fique com as peças não o é neste caso em que fiquei com o tampão antigo; quanto pagaria se a peça a reciclar fosse o motor do automóvel ou o próprio automóvel?;
5.º A Volkswagen ao vender o tampão e o canhão está a gerar desnecessariamente lixo, já que eu não precisava para nada de um novo tampão.

Claro que voltarei muito poucas vezes à Auto-Latina e, apesar da minha fidelidade à marca VW, já me começam a aborrecer as pequenas habilidades dos concessionários desta marca... O problema é que isto não deve ser muito diferente nas restantes marcas da Pólis...

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6 de outubro de 2005

«Remédios» - do monopólio ao oligopólio

Ainda sobre os medicamentos e na mesma notícia do Expresso, Grande Educador do Povo da Pólis ou GEPP, se nota que o dito João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias da Pólis, já percebeu a mudança do vento, também no que respeita à a questão da propriedade das farmácias, sem dúvida um dos mais cretinos monopólios que se conhecem e um dos últimos resquícios do corporativismo. Totalmente em contra-ciclo com os tempos de hoje em que tal não se justifica. Nessa área tudo é, hoje, asséptico. Findos os velhos boticários que manipulavam, entre balanças, potes e medidas, compostos e substâncias, hoje os medicamentos são pré-fabricados. Têm bula. Há quem lhe chame «literatura», embora à vista desta expressão o Pólis&etc. fique com um pouco de urticária… Ou então são «aviados» com receita médica onde também vem devidamente descrita a prescrição. Parte do povo da Pólis já tem um mínimo de informação médica que lhe permite distinguir os «remédios». O Pólis&etc. pede naturalmente licença ao Dr. Paulo Portas - a única pessoa em Portugal com menos de 65 anos a utilizar essa expressão - para também a usar. Parte do povo da Pólis já sabe o que é um anti-inflamatório, um anti-pirético ou um antibiótico. O povo da Pólis sabe que nas farmácias, as mais das vezes, não é atendido por um farmacêutico e mesmo quando é, isso não lhe traz nenhuma mais-valia significativa. João Cordeiro também sabe isto. Sabe também que estes dias estão a acabar. E vai daí já disse que quer criar uma empresa que seja a maior rede de farmácias do país… Está feito, substitui-se um monopólio por um oligopólio. Nem mais. São os negócios da Pólis…
Imagem - Museu da Farmácia

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O(A) «clique» das Farmácias – entradas de leão e saídas de Cordeiro

Realmente o Expresso, cuja leitura dura uma semana, impõe-se como o grande alfobre de materiais para o Pólis&etc. Atenção que esta frase é para ser lida como um elogio ao Grande Educador do Povo da Pólis. Caramba, não é só bater no dito. E embora não pareça, o Pólis&etc. garante também que lê outros jornais... Cá vai mais uma, pois, ainda da edição da semana passada. Desta feita, na berlinda está o Grande Lobby da Pólis - ou um pelo menos um dos. Não, não falo do lobby Gay, nem da Maçonaria, nem do Opus Dei (a ordem é rigorosamente alfabética). É que nesta «coisa» de lobbys, como aliás noutras, o Pólis&etc. é um não-alinhado. Falo do lobby dos medicamentos e da todo-poderosa Associação Nacional de Farmácias, liderada por essa figura um pouco melíflua de nome João Cordeiro. Mas sem dúvida um dos grandes exemplos da Real Politik dos lobbys da Pólis. Senão vejamos. Depois de vários anos a clamar pela defesa dos doentes, pela necessidade ingente de terem o indispensável aconselhamento de um farmacêutico sempre que vão comprar medicamentos e contra a proibição de venda dos medicamentos não sujeitos a prescrição médica nos hiper e supermercados, por não existir esse aconselhamento. Eis que o Grande Educador do Povo da Pólis nos revela que o dito João Cordeiro tem já um acordo com a Jerónimo Martins para a venda deste tipo de medicamentos na cadeia de supermercados Biedronka, na Polónia. Mas, a coisa não fica por aqui. Então não é que o homem diz despudoradamente que aquilo na Polónia é experimental e que por cá é que vai ser a sério. E não satisfeito ainda afirma: «Estou convencido de que no final da legislatura vamos ser obrigados a agradecer ao Eng.º Sócrates o discurso da sua tomada de posse. Foi o clique que nos fez repensar as nossas estratégias, estávamos demasiado limitados e foi um discurso libertador». É o que se chama entradas de leão e saídas de Cordeiro… Espera-se também que o(a) clique do(a)s farmacêutico(a)s não seja semelhante ao do Manara, pois se for o Pólis&etc. já sabe – mas não revela - em que farmácia se vai postar…
São os cliques dos lobbys da Pólis…
Imagem - Amazon

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