14 de maio de 2006

IRS: entregue pela net, mas vá...

Traumático e caricato é o mínimo que se pode dizer da minha primeira entrega de IRS pela internet. Foi na quinta-feira. É certo que perto do limite do prazo. Mas nada justifica o que se passou. Apenas, e só, uma maratona das 20H00 até às 23H30 para tentar proceder à entrega da declaração. Entrava-se na aplicação, preenchia-se tudo mas na hora de submeter a declaração, o PC crashava (boa palavra, esta). Ia tudo abaixo. Resultado, nova entrada e novo preenchimento. Tinha inclusive a declaração gravada em html mas tive de repetir o seu preenchimento vezes sem conta. O telefone de apoio às declarações electrónicas da Direcção-Geral dos Impostos (DGI), o 707 205 707, na quinta-feira à noite, permitia-me fazer a ligação, cobrando-me a respectiva taxa – é claro – e depois iniciava um sinal intermitente parecendo avaria. Ligo o 118 e dizem-me que aquele número é confidencial e que não podem dar qualquer informação sobre o mesmo, nem sequer se está avariado?!?!?! Sexta de manhã, nova odisseia com esse número e também com o número informativo da DGI, o 707 206 707. Resultado prático: só falei para a máquina que – literalmente - me deu música (e sempre a mesma: convinha variar de repertório)… Desliguei no final de algumas tentativas que, mesmo assim, duraram mais de uma hora. Em desespero, e já com o final do prazo a esgotar-se, telefono para o número informativo das Lojas do Cidadão e a funcionária – atenciosa e diligente – sugere-me que me dirija a uma das lojas e proceda, lá mesmo, à entrega, ainda e sempre pela internet. Mobilizo a família e a minha cara-metade vai lá tratar desse assunto. Resultado: o PC da funcionária faz vários crash semelhantes aos que aconteceram no meu. Talvez problemas com a password! Aventa ela. Desespero dela. No final de uma hora e de várias tentativas, lá se consegue submeter a declaração. A funcionária sorri e suspira. Quanto tempo perdido por cada uma das três pessoas envolvidas? Nem contabilizo. Parece-me claro poder deduzir-se várias coisas:
1.º A plataforma tecnológica que suporta a entrega das declarações electrónicas da
DGI funciona mal e não está preparada para certos afluxos de tráfego;
2.º A linha telefónica de apoio à entrega das declarações electrónicas da
DGI funciona mal e não está preparada para certos afluxos de tráfego;
3.º O call center ou seu equivalente da DGI, nas suas diferentes linhas, não está dimensionado para certos afluxos de tráfego, cobra chamadas e nem sequer informa sobre o tempo de espera;
4.º Apesar da tecnologia, perdi mais tempo este ano com a entrega da declaração de IRS pela internet do que nos anos anteriores em que procedi à entrega em suporte papel.
Por fim, regista-se este novo conceito de ir entregar a declaração pela internet presencialmente e com o papel na mão a uma Loja do Cidadão. É muito moderno e tecnológico, lá isso é…

6 Comments:

Blogger Politikos said...

O que se passará, cara Luar?! Pela primeira vez, sinto-me tentado a concordar integralmente consigo…

terça-feira, maio 16, 2006 7:08:00 da tarde  
Blogger Politikos said...

Ah, fez-se luz no meu espírito, cara Luar... Obrigado. Muito obrigado.

terça-feira, maio 16, 2006 11:08:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Deixando de lado esses punhos de renda, dois considerandos:
1 - Mais uma vez a função pública no seu melhor! Agora digam que é má-vontade...
2 - Sabendo que gravitam por aqui algumas almas ligadas à informática, um telefonema ou mesmo um e-mail para um amigo era capaz de ter ajudado. É que, veterano nestas andanças, o pessoal das Krónikas Tugas já está preparado para todas as eventualidades e já lhe descobriu os truques. Ou me engano muito, ou a questão resume-se essencialmente a dois tipos de software: o Java e o Acrobat. Para preencher a declaração é necessário ter a última versão do Java Script instalada. Quando se submete e pretende obter um comprovativo, só lá vai com a última (mas tem que ser mesmo a última) versão do Adobe Reader instalada. Provavelmente os problemas passam por aí. O que é estranho é que nada disto funcione correctamente se tivermos, digamos, a penúltima versão. É uma aberração estarem a obrigar as pessoas a verificar constantemente se o software está actualizado ou não. Era como se para fazer um documento de Word só pudéssemos usar o 2003, porque se abrissemos o 2002 ele chegava ao fim e não gravava...

quinta-feira, maio 18, 2006 12:56:00 da manhã  
Blogger Politikos said...

Ah, realmente não sei se tinha a última versão do Acrobat Reader instalada no PC de onde fiz aquilo, que por acaso não era o meu... Mas, existindo esse problema, a DGI podia, ao menos, dar uma dica para solucionar o problema nas mensagens de ajuda ou advertir logo no início para a necessidade de actualização do software? Agradeço a disponibilidade das KT. Fica para o ano ;-)
Claro que isto tinha de servir para mais uma farpa à função pública! E quando me aparecem «bugs» - os mais incríveis - no Windows e suas múltiplas aplicações?! Tb é o Bill Gates no seu melhor?!
P.S. - Tenho por aqui duas versões do Publisher: uma inglesa e uma portuguesa, literamente iguais: acredita que há diferenças de formatação do produto final de uma para outra?!?!?!

quinta-feira, maio 18, 2006 7:30:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Claro que acredito. E quanto aos "bugs" no Windows e no Office, isso já é história conhecida. E olhe que também há quem não goste das farpas...

sexta-feira, maio 19, 2006 10:56:00 da tarde  
Blogger Politikos said...

Pois, mas como diz o outro: «habituem-se!»... :-)

sábado, maio 20, 2006 5:08:00 da tarde  

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