É cultura, senhores!
Estamos habituados a ver cortes de estrada ou de linhas férreas por causa de reivindicações locais: construção ou melhoramento de estradas, contra a instalação de indústrias poluentes, etc. Estamos habituados a ver ocupações de igrejas por litígios com os respectivos curas. Estamos habituados a ocupações de empresas para defender os postos de trabalho. Estamos ainda habituados a ocupações de universidades ou de escolas devido às propinas, ao estado de conservação ou a qualquer outra razão de carácter material. Tirando a religião, assunto da esfera individual mas que sobretudo no Portugal rural ainda ocasiona este fenómenos, em todos os outros casos estão em causa bens essenciais, bens materiais: vias de comunicação, saúde pública, postos de trabalhos, ou então apenas o vil metal. Porém, hoje, fomos surpreendidos por uma ocupação de um teatro, o Rivoli, no Porto, por se temer a sua entrega a privados e a consequente adopção de uma política estritamente comercial. Ainda por cima, parece que o protesto terá sido espontâneo. No final da sessão, os actores desafiaram o público e umas dezenas de pessoas aceitaram barricar-se, fechando-se a cadeado e exigindo ser ouvidas pela autarquia. Confesso que acho que, pelo que está subjacente a este acto, que não é dinheiro, que não é um bem básico, que é um bem do espírito: cultura, ainda há algumas razões para acreditar na Pólis.Etiquetas: Cultura, Sociologia







