8 de maio de 2007

Diga 36

Tarde de um domingo ensolarado de Primavera em Lisboa. Realmente a convidar ao ar livre, mas ainda não à praia, a não ser para passeio. Ponho pés a caminho e vou à Comuna ver O Tartufo, uma encenação de João Mota da celebrada peça de Molière. À chegada, vejo com alguma surpresa que a peça iria decorrer na chamada sala nova de A Comuna, um anexo, uma salinha pequena e intimista, daquelas onde se pode ouvir os actores a pisar o palco. Até me agradou, mas logo antevi que a peça não iria ter muitos espectadores. Porém, o que não antevia era que tivesse apenas 36 almas, três dúzias certas, que as contei. Atravessando a praça, dita de Espanha, temos a Gulbenkian, onde, ainda não há muito tempo, verdadeiras hordas pela noite fora esperaram para ver a exposição de Amadeo de Souza-Cardozo… Ademais, se pusermos lado a lado uma peça teatro e uma exposição de pintura, a primeira parece ter condições para ser mais popular… E se pusermos lado a lado Molière e Amadeo, temos de convir que o primeiro tem bastante mais condições para chamar o que se convencionou chamar de grande público… Uma espreitadela ao site de A Comuna dá-me talvez um princípio de explicação para este acentuado contraste: está desactualizado e a peça O Tartufo nem sequer lá consta. Ainda lá a está a peça anterior: O Misantropo?! Ora sem investir ou encontrar patrocínios para a promoção dos espectáculos não é possível chamar públicos… E esse é um vital imperativo de sobrevivência daquelas que, como o teatro, não são hoje as artes da moda neste tempo de variada oferta cultural…

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