Não «Sá de Baixo»...
Etiquetas: Vinho

Breves devaneios, reflexivos q.b., sobre a vida na Pólis & etc.
Etiquetas: Vinho
«A atitude do Governo é introduzir reformas que dêm sustentabilidade ao Estado Social»(p. 48).
Etiquetas: Língua Portuguesa
«[...] a “Visão” permite poucas observações desse tipo a um linguista, já que os textos acabam varados pelo olhar exigentíssimo do director executivo (a designação lê-se no cólofon) Daniel Ricardo. Aí tem um periódico ”e referência”. Parece óbvio: para o linguista não tem piada nenhuma.»
«Terça-feira, porém, disponibiliza-se apenas para uma curta sessão de fotografias e, quiçá já embuído do repto "descrição na acção" que o Presidente da República lhe pediu, recusa-se a prestar qualquer declaração.»
Não será difícil nesta matéria- parece-me - coligir, nos próximos números, outros exemplos semelhantes. Apetecia-me dizer que «a procissão ainda vai no adro», ou na curiosa recreação do editorial da Visão, ainda desta semana, «a festa ainda está no adro»...
Etiquetas: Língua Portuguesa
Estamos habituados a ver cortes de estrada ou de linhas férreas por causa de reivindicações locais: construção ou melhoramento de estradas, contra a instalação de indústrias poluentes, etc. Estamos habituados a ver ocupações de igrejas por litígios com os respectivos curas. Estamos habituados a ocupações de empresas para defender os postos de trabalho. Estamos ainda habituados a ocupações de universidades ou de escolas devido às propinas, ao estado de conservação ou a qualquer outra razão de carácter material. Tirando a religião, assunto da esfera individual mas que sobretudo no Portugal rural ainda ocasiona este fenómenos, em todos os outros casos estão em causa bens essenciais, bens materiais: vias de comunicação, saúde pública, postos de trabalhos, ou então apenas o vil metal. Porém, hoje, fomos surpreendidos por uma ocupação de um teatro, o Rivoli, no Porto, por se temer a sua entrega a privados e a consequente adopção de uma política estritamente comercial. Ainda por cima, parece que o protesto terá sido espontâneo. No final da sessão, os actores desafiaram o público e umas dezenas de pessoas aceitaram barricar-se, fechando-se a cadeado e exigindo ser ouvidas pela autarquia. Confesso que acho que, pelo que está subjacente a este acto, que não é dinheiro, que não é um bem básico, que é um bem do espírito: cultura, ainda há algumas razões para acreditar na Pólis.Etiquetas: Cultura, Sociologia
Tem sido glosada até à exaustão a decisão da directora da Ópera de Berlim de suspender a produção da ópera Idomeneo, de Mozart, onde, a certa altura, se apresentam as cabeças cortadas de Buda, Cristo e Maomé, por receio de represálias dos terroristas islâmicos. Pressurosamente, os opinion makers da Pólis, todos, criticaram a decisão como uma capitulação ao terrorismo, incensando a liberdade ocidental. Na blogosfera, os opinion makers, os candidatos a opinion makers e os outros alinharam pelo mesmo diapasão. Não consegui ver uma única opinião em sentido contrário. Pessoalmente, acho que a directora da Ópera agiu com prudência. Pessoalmente, se estivesse naquela posição, faria exactamente o mesmo. Não existem valores absolutos, nem sequer a liberdade que, aliás, é um dos - senão mesmo o - valores que eu mais prezo. O que me parece é que estas vestais, esta espécie de libertários à outrance, se arvoram em paladinos de um tipo de liberdade absoluta, de uma liberdade sem responsabilidade, de uma liberdade indeterminista que nunca existiu. O maior exemplo de liberdade é exactamente a possibilidade de escolha e escolher como escolhemos não nos diminui, não nos menoriza, nem significa medo. As condicionantes da liberdade não anulam a liberdade. E não nos esqueçamos de que todos os dias, todos – inclusive as tais vestais - praticamos pequenos e grandes actos de auto-censura. Lembrei-me disto a propósito de um texto de Miguel Sousa Tavares (MST) publicado esta semana pelo GEPP (nome que O Expresso tem neste blogue), acerca da entrevista de José Maria Aznar, ao Prós e Contras, e onde a certa altura refere a opinião do antigo director do jornal a propósito da invasão do Iraque: «a menos que se aceite a extraordinária tese então defendida aqui no Expresso pelo arq. José António Saraiva de que só invadindo é que se poderia saber se havia ou não armas […]». Ora todos, e o Pólis&etc. à cabeça, reconhecemos a independência e o desassombro de MST em relação a tudo que é poder na Pólis. Se há algum opinion maker independente é MST. É um jornalista que nunca se rendeu aos cantos de sereia do poder e que atira indistintamente à esquerda e à direita. Tirando alguns temas residuais em que cega e irracionalmente defende a sua dama, mas até, nalguns casos, declara previamente interesses: tabaco, FCP, caça e touros, por exemplo, MST encarna – quase todos concordarão - a máxima independência do comentário político da nossa Pólis. Alguém, porém, acredita que se o arq.º Saraiva (é também curiosa a manutenção do título) ainda fosse director do jornal, MST escreveria aquilo… Alguém, ademais, acredita que, com aquela espécie de autismo anti-crítica de que o GEPP sofre, tal seria publicado…