5 de maio de 2008

A esquadra sem porta

Num dos últimos dias da semana que passou uma reportagem da SIC da Pólis apresentou o caso de uma esquadra sem porta. Ali mesmo, ao Rossio. No coração de Lisboa. Após este caso, que deu o mote, o repórter aproveitou o balanço e avançou para a falta de condições de algumas esquadras. O caso não é, aliás, só das esquadras. Os serviços públicos, de uma forma geral, têm níveis de conforto muitos furos abaixo da maioria das empresas. Apesar de muitos encherem a boca com os gastos supérfluos do Estado...
Em seguida, ouviu-se o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, sobre o caso da esquadra sem porta. O ministro, questionado directamente sobre isso, ignorou por completo o caso concreto e fez um discurso genérico sobre os méritos do governo no reforço das condições das esquadras e das forças de segurança. Onde se exigia que se circunscrevesse ao que foi perguntado e dissesse alguma coisa simples, do tipo: «não sei, não conheço, mas se me diz isso, vou averiguar e se for tal como diz, para a semana já está resolvido», veio debitar uma ladainha sebenteira e propagandística. E sobretudo - e isso é o mais me aborrece - passar um atestado de menoridade mental aos cidadãos da Pólis que tiveram de o ouvir. Confesso que não sei mais o que me custa, se os políticos puros e duros, oficiais do ofício, treinados na arte do discurso areado se este tipo de gente de abordagens canhestras e sem o menor lastro político...

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1 de dezembro de 2007

Polícias e cowboys...

O inspector-geral da IGAI (Inspecção-Geral da Administração Interna), Clemente de Lima, - de quem, em tempos, já aqui tinha exprimido opinião positiva - foi, ao longo da semana, zurzido de todos os lados pela entrevista (texto; declarações) que deu ao Expresso. Na verdade, quando li a entrevista percebi logo – qualquer pessoa, aliás, o intuiria – os estragos que a mesma provocaria. As ondas de choque provocadas pelo sismo prolongaram-se e ainda ontem sentimos mais uns abalos. Os partidos aproveitaram para a habitual chicana, pedindo cinicamente a demissão do IGAI para, em última análise, pedirem a do MAI, por desautorização e falta de condições para o exercício do cargo. O blá, blá do costume! E com isso prestaram um mau serviço cívico. O ministro, cuja atitude e postura são quase sempre de um lamentável servilismo, a roçar a indignidade para um titular de uma pasta, fez a conversa redonda que é habitual. Já quase nem o oiço. Causa-me até alguma repulsa cívica vê-lo e ouvi-lo. Os sindicatos criticaram, um deles fez mesmo o choradinho: «o senhor inspector-geral não gosta da polícia». Perante as declarações do IGAI, senti duas reacções. Espanto, pelo facto de ele as ter feito enquanto titular do lugar que ocupa e nos termos em que as fez, e concordância, pela parte substantiva das mesmas. Aquilo é exactamente o que eu penso e certamente não estarei só. Além do mais, o inspector-geral não é o comandante das polícias, nem é o MAI, é a entidade de reclamação do Estado e dos cidadãos relativamente às polícias. Acho que ele está a prazo. Os inspectores-gerais deviam depender da AR ou do PR – que devia ter mais que fazer do que tem - e não do Governo. Mas, pessoalmente, gostaria que ele continuasse. Sentir-me-ia certamente civicamente muito mais protegido. E para as polícias seria até, a prazo, positivo. Os bons agentes não precisariam de se preocupar e os outros situar-se-iam.

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25 de setembro de 2005

O militar da 1.ª Coluna

Fiquei a saber este fim-de-semana ainda pelo «Expresso»Grande Educador do Povo da Pólis – que o militar que comanda as «tropas» do «reality show» da TVI, 1.ª Companhia, passou à reserva uns dias antes da estreia do programa. Até aqui tudo bem. Damos inclusive de barato a participação de um elemento da instituição militar naquela «coisa». Porém, também nos diz o Grande Educador do Povo da Pólis que o dito militar «embolsa» o vencimento normal por estar na reserva, porém a participar no programa. Mais um artista da «coisa», está visto. Gostava de ouvir o que Exército e o CEMGFA têm a dizer sobre isto.
Será que esta é uma das célebres parcerias «público-privado» para ocupar militares sem guerras…
Ah, e já me esquecia. Na mesma notícia soubemos pelo porta-voz do Exército, e ficámos todos muito mais descansados, que no programa não há qualquer equipamento, farda, emblemas, insígnias ou símbolos daquele ramo das Forças Armadas.
São as guerras da Pólis…


Imagem - Site do programa

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