27 de maio de 2009

Transparente e Opaco

Ontem estive a ver, até cerca das 00h30, a audição de Oliveira e Costa à Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BPN. Primeiro na SIC Notícias e depois no Canal Parlamento. Intercalei com os comentários de analistas na SIC Notícias, RTP-N e TVI 24. E percebi uma coisa. Percebi que este é o modelo que deve vigorar numa democracia civicamente vigorosa e adulta. Onde há transparência e não opacidade. Em que as instituições que governam em nome do Povo chegam ao Povo. Abrem-se ao Povo. Entrementes e no mesmo caso, a máquina policial e as máquinas judiciais devem estar a prosseguir, na costumeira modorra, os respectivos caminhos, opacas, e arrimadas atrás de um segredo de Polichinelo que não conseguem preservar, de uma discrição que julgam eficaz e protectora e de uma absoluta incapacidade de comunicar com o Povo e de a ele chegar. Quando deviam era aprender com o Parlamento. É isto que eu, como cidadão, quero. Quero ver e quero avaliar, se, como dizem, quem administra a Justiça o faz em nome do Povo.

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16 de agosto de 2008

Zelota

Regressei ontem de quinze merecidíssimos – digo eu – dias de descanso, que o ano foi bastante complicado a diversos níveis, sobretudo do ponto de vista profissional. Tarefas intelectuais nestes dias, apenas a leitura de livros, jornais e revistas. Absolutamente mais nada. Ainda levei o portátil, mas nem sequer o tirei da mala. Noutros anos ainda fiz uns postes. Mas neste nadita de nada. Apesar de naturalmente instado por algumas das coisas que fui vendo e lendo. Uma coisa, porém, não posso deixar passar em claro, de tal modo a achei perturbadora.
Num dia de Agosto apanhei, numa das televisões da Pólis, uma notícia que dava conta de que o nosso Primeiro (PM), José Sócrates, queria pagar a multa por ter fumado no avião para a Venezuela, mas que não se sabia quem lha passava, se a ASAE, se a PSP. Ora, ao que os jornais noticiaram o PM estava de férias, pelo que aquilo deve ser obra dos assessores, mas certamente com o seu acordo. Confesso que fiquei estarrecido. O assunto praticamente morreu. Só alguns zelotas da Pólis – ou da lei – ainda falam nisso, invocando a igualdade de todos perante a lei, etc. e tal. Mas, claro, zelotas há-os em todo o lado. É bom, porém, que o PM não seja zelota. Na função, quer-se alguém com bom-senso, que saiba discernir o essencial do acessório e que desse modo saiba avaliar as situações da governação. Querer pagar à força pagar aquela multa denota um espírito zelota que me parece desde logo perigoso. O PM deu em tempos boas explicações sobre esse episódio. Foram satisfatórias para quase todos. De onde, nada mais há a dizer. Além de perigoso, o espírito zelota parece-me hipócrita, pois no mínimo podemos justamente perguntar se o PM o usou nalguns episódios vindos a lume da sua vida passada...

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30 de junho de 2008

Fedorento, infelizmente não Gato...

Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) referiu-se, ontem, na sua habitual prédica de domingo à noite, ao ministro Jaime Silva (JS) dizendo que ele era «o mais incompetente do mundo» e «uma nulidade absoluta». As afirmações valem o que valem. Eu acho que aquelas não valem nada. MRS é um professor universitário e sabe que mesmo o que se diz como opinião, embora não careça de prova científica, tem pelo menos de ser verosímil. E no caso, o que ele disse não o é. Não se pode provar que JS seja uma nulidade absoluta e menos ainda que seja o ministro mais incompetente do mundo. Aquilo é uma tirada de café dita no calor de um raciocínio e amplificada por ter sido dita num programa de informação do horário nobre de uma televisão.
O ministro respondeu-lhe hoje. Tenho JS como um indivíduo um bocado histérico e até estranhei quando ele começou a articular uma resposta equilibrada e coerente, falando de princípios e de rigor. Mas empolgou-se e começou logo a tresler quando enfeitou a argumentação com umas expressões grandiloquentes, do tipo «falta-lhe a grandeza dos grandes políticos». E não satisfeito rematou dizendo que aquilo foram declarações feitas num «programa de entretenimento, tipo Gato Fedorento»
É fantástica a capacidade desta gente em conseguir, numa situação que até lhe poderia granjear alguma simpatia popular, fazer reverter a situação, causando antipatia e até alguma repulsa a quem o ouve… Está tudo aqui...

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5 de maio de 2008

A esquadra sem porta

Num dos últimos dias da semana que passou uma reportagem da SIC da Pólis apresentou o caso de uma esquadra sem porta. Ali mesmo, ao Rossio. No coração de Lisboa. Após este caso, que deu o mote, o repórter aproveitou o balanço e avançou para a falta de condições de algumas esquadras. O caso não é, aliás, só das esquadras. Os serviços públicos, de uma forma geral, têm níveis de conforto muitos furos abaixo da maioria das empresas. Apesar de muitos encherem a boca com os gastos supérfluos do Estado...
Em seguida, ouviu-se o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, sobre o caso da esquadra sem porta. O ministro, questionado directamente sobre isso, ignorou por completo o caso concreto e fez um discurso genérico sobre os méritos do governo no reforço das condições das esquadras e das forças de segurança. Onde se exigia que se circunscrevesse ao que foi perguntado e dissesse alguma coisa simples, do tipo: «não sei, não conheço, mas se me diz isso, vou averiguar e se for tal como diz, para a semana já está resolvido», veio debitar uma ladainha sebenteira e propagandística. E sobretudo - e isso é o mais me aborrece - passar um atestado de menoridade mental aos cidadãos da Pólis que tiveram de o ouvir. Confesso que não sei mais o que me custa, se os políticos puros e duros, oficiais do ofício, treinados na arte do discurso areado se este tipo de gente de abordagens canhestras e sem o menor lastro político...

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17 de dezembro de 2007

Detenham-nos!

Hoje à noite, fomos presenteados, na SIC Notícias, com este título. Esteve lá durante toda a conversa que durou seguramente bem mais de 10 minutos. Assisti pasmado aos primeiros cinco, sem que o título de lá saísse. Deitei-me a adivinhar, durante mais quanto tempo ele lá ficaria. Decidi-me a ir buscar a máquina. Fiz catorze bonecos para escolher este. E ele lá continuava. Fui-me embora porque já aguentava mal a conversa do Moita Flores a culpar os políticos pela ineficiência e ineficácia da polícia criminal. Claro que ele, apesar de presidente de câmara, não é político, nem anda por lá perto! O que ele seguramente já não é, é polícia. Mas, adiante! E não houve uma única alma, na régie ou em qualquer outro sítio na SIC Notícias, que visse e alertasse para corrigirem aquilo...

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5 de setembro de 2007

Estrelas & estrelas

Anteontem – ou seria domingo?! – passei pelo novo programa da SIC, Família Superstar. Basicamente, são castings para avaliar os dotes musicais de membros da mesma família com vista a participar no programa. O júri dos castings é composto pelos dois irmãos dos Anjos, pela jornalista Clara de Sousa, e pelo editor musical Tozé Brito. Na esteira de outros programas similares, os membros deste júri – excepção feita a Tozé Brito – comprazem-se em humilhar os concorrentes. É bem certo que alguns deles não parecem ter sequer consciência de que não sabem cantar. Mas há formas de se evitar isso. Fazem-se pré-selecções e poupam-nos a esse espectáculo indecoroso e há outras formas de se dizer que não serve. Mas aquilo deve fazer parte do espectáculo, quer os bobos, quer os que se riem dos bobos. Entre uns e outros... Acho até mais triste a figura dos anjolas e da Clarinha, - sobre a dita permanece a incógnita de saber quais são os predicados que ela possui para avaliar quem canta bem e quem canta mal?! - do que a dos concorrentes... Talvez por isso ela seja a mais musculada no discurso! Resta saber se, em lugar de gente anónima e pouco talentosa, ela teria o mesmo comportamento perante, por exemplo, políticos ou empresários, menos anónimos mas igualmente pouco talentosos?! Loas a Tozé Brito, um senhor no meio dos outros.

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30 de agosto de 2007

Corn flakes com BE

O homem não larga o osso. Apre! Desde há vários dias, a edição da noite do jornal da SIC Notícias com Mário Crespo (MC) pisa e repisa a questão da destruição do milheiral transgénico da Herdade da Lameira. Entrevistou Francisco Louçã, o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, o responsável do Movimento Verde Eufémia, Gualter Baptista. A cruzada do MC é conseguir filiar o líder daquele movimento ao Bloco de Esquerda, apertar com Louçã sobre isso e sobre uma ou outra afirmação mais dúbia sobre a condenação daquela acção. Hoje caiu na patetice noticiosa de apresentar como notícia um site qualquer que divulgava uma iniciativa qualquer do BE onde o tal Gualter ia falar e em que afinal foi substituído. A acção dos manifestantes destruindo massivamente parte significativa do milheiral, de caras tapadas, com agressões ao agricultor a pontapé é claramente condenável. Mas confesso que estou farto desta espécie de caça às bruxas noticiosa. O homem ensandeceu ou quê? Tolero-lhe os tiques de intelectual de pacotilha – anteontem foram os fora, hoje a ratio legis e todos os dias há um diferente - a verborreia e até algum unto, que creio mais aparente do que real, mas está-me a agoniar esta cruzada. Até porque gostava de poder continuar a comer os meus corn flakes descansado e de saber se eles são feitos com transgénicos ou não. E gostava que houvesse legislação a obrigar que nas embalagens constasse a indicação de transgénico ou não. E de saber porque é que, ao contrário, existe legislação para regulamentar as «zonas livres de variedades geneticamente modificadas». E de assistir a uma boa refrega televisiva entre quem é favor e quem é contra. E conhecer a respectiva artilharia científica. E, claro, estou-me nas tintas para o facto de Gualter Baptista ser ou não do BE…

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2 de julho de 2006

Comércio e Populismo na TV


Na sexta-feira estive numa reunião de trabalho em que se falou com algum escândalo no tempo consumido com o trabalho de preparação e de concepção das actividades da organização (20%) por oposição ao tempo consumido nas actividades propriamente ditas (80%). É claro que esta relação depende das especificidades de cada actividade. Porém, aqui, estamos sempre a falar da actividade propriamente dita e do que está a montante e a jusante dela.
Há, porém, actividades, como é o caso do futebol, que como fenómenos principais geram fenómenos secundários, de que é exemplo a mediatização televisiva, ultimamente explorada até à exaustão numa lógica comercial e populista. Perdeu-se, de facto, em nome do comércio e do populismo, a noção das proporções: 90 minutos de jogo dão programas de horas antes e depois sobre tudo e mais um par de botas... O último dos males são os directos após os jogos, já abordados por duas vezes (I e II) pelas Krónikas Tugas, onde, claro, também se entrevista tudo e mais um par de botas e onde se faz pouco juízo crítico... Ontem, depois do jogo, no Marquês de Pombal, o cenário era quase desolador. Mas o circo mediático já estava montado e lá esteve uma jornalista a entrevistar os poucos que por lá apareceram... Por outro lado, assim que soou o apito final, tivemos de «gramar» minutos sem fim de publicidade na SIC e fomos privados de ver, em directo, as reacções dos nossos jogadores em Gelsenkirchen...
Perdeu-se, de facto, a noção das proporções e impera, por vezes, nestas transmissões televisivas, a lógica comercial e o populismo mais básicos...
P.S. - Deixamos duas imagens da noite de ontem, ambas de conjunto, mas tendo em primeiro plano os principais protagonistas do jogo, Ricardo, que defendeu três penáltis, e Cristiano Ronaldo, que marcou, com grande categoria, o penálti decisivo... Espera-se que estas suscitem menos polémica... :-)

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8 de outubro de 2005

A «arruada» da campanha

A campanha eleitoral autárquica afinal sempre nos trouxe uma boa novidade. Uma palavra nova que de um momento para o outro entrou no vocabulário da Pólis. Trata-se da palavra «arruada» que o Pólis&etc. não conhecia. De repente, a dita «arruada» aparece repetida até à exaustão em todas as televisões. Assim é o mimetismo dos meios de comunicação social dos dias de hoje. Um diz e os outros copiam. Mesmo que não saibam muito bem o que é. Adiante. Interessa é alinhar com a moda. E acharam graça à palavra. Lá vai o Pólis&etc. aos dicionários para ver o significado da «coisa». Após várias consultas – não vale a pena o Pólis&etc. alardear aqui a sua erudição; há dicionários com fartura cá em casa, caramba, sobretudo para compensar a falta dela – leva a palma, como sempre, pela quantidade de vocábulos, o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado. «Arruada» existe, sim senhor, mas como substantivo masculino: «arruado». E lá temos uma «composição musical tocada por uma banda, enquanto percorre as ruas da cidade», talvez aquilo que é mais próximo do que se pretende. Claro que neste ponto, o Pólis&etc. descobre uma miríade de palavras com a mesma raiz que aliás assentam que nem uma luva a muito do que se passou hoje, último dia da campanha autárquica. Um «arruador» é assim um «picão, valentão, que passeia e corre as ruas fazendo mal; desordeiro, galanteador, atrevido». Claro que o que o «arruador» faz é «arruar». Verbo prenhe de significados: «passear frequentemente por, para requestar vadiamente»; «andar a passear pelas ruas com ostentação, a pé ou a cavalo» (admitimos aqui que JPMachado, que infelizmente já não está entre nós, precisasse de actualizar os meios de locomoção do «arruador»); vadiar (pois, eu hoje de facto estava a trabalhar enquanto decorriam as «arruadas»). Mas isto é o «arruador». E como a linguagem é eminentemente masculina. Eis senão quando descobrimos que uma «arruadeira» é uma «mulher que anda muito pelas ruas; mulher andeja; rameira, ambulatriz». Assim é a Língua Portuguesa, apesar de feminina, pouco feminista. O Pólis&etc. tira o chapéu com vénia longa a Jerónimo de Sousa que lançou esta palavra e a aplicou com propriedade e com vénia curta aos jornalistas que a repetiram acriticamente, como aliás acontece muitas vezes, já que em algumas «arruadas» de hoje não vimos nem sombra de banda ou de música, a menos que fosse a dos candidatos… E, já agora, lança também aqui o desafio a uma boa amiga, que por acaso até dá formação a alguns dos jornalistas da Pólis e até lê este blogue – ao menos às vezes e ao deitar: atenção que substitui com vantagem o Lorenin e não causa habituação – para deslindar melhor esta «coisa» da «arruada», com mais sapiência do que o Pólis&etc. que nestas coisas da Língua Portuguesa toca de ouvido…
Ah, e já agora, mais um significado de «arruar»: «soltarem os animais desgarrados da manada (principalmente os touros) certos mugidos de insatisfação»… Este ficou para último mas só por esquecimento…
Imagem - Priberam

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25 de setembro de 2005

O militar da 1.ª Coluna

Fiquei a saber este fim-de-semana ainda pelo «Expresso»Grande Educador do Povo da Pólis – que o militar que comanda as «tropas» do «reality show» da TVI, 1.ª Companhia, passou à reserva uns dias antes da estreia do programa. Até aqui tudo bem. Damos inclusive de barato a participação de um elemento da instituição militar naquela «coisa». Porém, também nos diz o Grande Educador do Povo da Pólis que o dito militar «embolsa» o vencimento normal por estar na reserva, porém a participar no programa. Mais um artista da «coisa», está visto. Gostava de ouvir o que Exército e o CEMGFA têm a dizer sobre isto.
Será que esta é uma das célebres parcerias «público-privado» para ocupar militares sem guerras…
Ah, e já me esquecia. Na mesma notícia soubemos pelo porta-voz do Exército, e ficámos todos muito mais descansados, que no programa não há qualquer equipamento, farda, emblemas, insígnias ou símbolos daquele ramo das Forças Armadas.
São as guerras da Pólis…


Imagem - Site do programa

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