Crédito Peseiro, esgotado o plafond

E não digo isto pelo jogo de ontem…
Peseiro é, sem dúvida, um treinador bem intencionado, tecnicamente preparado e com alguma cultura táctica. Mas isso não chega para treinar o Sporting. Não tem, nem nunca teve um modelo de jogo definido e uma estrutura-base. Na retaguarda, é tacticamente instável, fazendo alterações constantes no figurino da equipa. Em campo, não tem leitura de jogo e as substituições são muitas vezes incompreensíveis. Em campo ainda, não tem atitude. Gesticula de forma histriónica e transmite mais nervosismo do que serenidade. Fora de campo também lhe falta atitude, pelo menos para uma equipa como o Sporting. Nas conferências de imprensa, as palavras por norma pesam-lhe. A reacção ao caso recente de Liedson é o exemplo acabado disso mesmo. Confrontado, adoptou a pior atitude. Negou o que todos viram e atirou a culpa para as televisões que - segundo ele - vêem sempre essas declarações nos jogadores do Sporting. Devia ter dito, não ouvi mas se assim for, o jogador será punido. Ou então, ouvi e o jogador vai ser punido por isso. Apenas isto. E propunha à SAD um castigo pecuniário e quiçá também desportivo. Atenção que a ordem é esta. Primeiro, ir-lhe ao bolso. Além de que não me parece ter a capacidade de liderança nem o carisma suficientes para treinar uma equipa como o Sporting. Falta-lhe músculo e nervo para domar o balneário. Apetecia-me, porém, aplicar outra palavra...
E ontem… Ontem, mais uma vez ensaiou um esquema táctico novo (mais um): um 4-3-3, com Wender, Douala e Deivid na frente. Os dois primeiros encostados às linhas, e alternando nas alas, e o terceiro no centro. A ideia era boa mas não para ser experimentada num jogo destes. E sobretudo não para ser experimentada ao mesmo tempo que mexia na defesa, desfazendo a dupla Polga e Tonel, e colocando Paíto na esquerda. Curiosamente, no eixo retira Tonel, que tem cumprido, por vezes com brilho, metendo Beto, que vem de uma lesão. Claro: Tonel não tem cartel, nem influência, daí que seja a opção de saída mais fácil. Com as mudanças, Peseiro mexeu, mais uma vez, em toda a estrutura da equipa.
Mas o problema, ontem, não foi o treinador. Se calhar até, e em relação apenas ao jogo de ontem, foi o menos culpado. E, caso raro, até acertou nas substituições: de Luís Loureiro por Custódio que organizou, como podia, o jogo do Sporting e melhorou a transposição defesa-ataque; de Deivid, fatigado, por Pinilla, embora esta pudesse ter acontecido mais cedo.
O Sporting perdeu bem um jogo decisivo que tinha obrigação de ganhar e que, sobretudo pela forma como foi eliminado, vai condicionar psicologicamente toda a época. Espera-se que isto não seja o princípio do fim de uma época que ainda agora começou...
Viva o Sporting Clube da Pólis.
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