Voto militante e... reactivo...
Etiquetas: Justiça, Personagens, Sociedade, Sociologia

Breves devaneios, reflexivos q.b., sobre a vida na Pólis & etc.
Etiquetas: Justiça, Personagens, Sociedade, Sociologia
Etiquetas: Jornais, Personagens, Sociedade
A Sony não tem assistência técnica em Portugal, pela simples razão de que lhe sai mais barato substituir um produto usado, que custou 220 aérios, por um novo, a um custo de 90 aérios. De onde facilmente se deduz que o preço unitário por consola fique muito, mas muito mesmo, abaixo dos 90 aérios da substituição. Isto porque não é crível que com a segunda transacção a Sony perca dinheiro. Além de que fideliza o cliente para a vida e este convence-se de que, com o segundo negócio, está a fazer um grande negócio! Sabe-se que a mão-de-obra na China, onde aquelas coisas são fabricadas, é mal paga e não tem direitos. E, mesmo com transporte, taxas e impostos diversos, margem de lucro do comerciante e etc., ainda assim lhe sai mais barato... Um verdadeiro negócio... da China...Etiquetas: Empresas
Manhã do dia do julgamento arbitral, marcado para a tarde: telefonema de um advogado da Sony. Pela voz, seria rapaz para ter entre 28 e 35 anos. Imagino, pela voz e pelo estilo, um yuppie de crescimento rápido. Muitas hormonas em pouco tempo e ei-lo chegado a um peso que se percebe depois que é só água. Falta-lhe músculo. Faltava-lhe, aliás, quase tudo: savoir faire e saber estar socialmente, pelo menos ao telefone. Mentalmente imaginei uma figura com um fato Armani ou similar e botões de punho com design de criador. Porém, quando abria a boca, ficava só mesmo o fato Armani ou similar e os botões de punho e percebia-se que ficava ali melhor um pronto-a-vestir da rua dos Fanqueiros e uns botões de punho de prata dourada, daqueles que se colocam por cima dos botões. Diria que se tratava de alguém com uma educação social básica mas sem qualquer polimento pessoal. Alternava os «por favor» e os «obrigado» com os «eh pá» e o «eh pá, vamos lá ver». Esclareça-se que os «eh pá» e os «eh pá, vamos lá ver» eram usados quando ele começava a perder o pé à conversa. Além disso, e pior que isso, era pouco profissional. Não havia lido a minha carta mas apenas o documento do Centro de Arbitragem. E só trazia uma proposta. Não estava sequer preparado para contrapropostas ou cenários B. Não o queria para trabalhar comigo. Após alguma conversa, diria da treta, a proposta era, eu pagava 30 euros e a Sony dava-me uma consola nova. Expliquei-lhe que sendo essa uma solução razoável há dois meses, agora já não era e que esperaria pela decisão do juiz. Porque estava farto da Sony e não queria ter mais nada a ver com a Sony. E nada me garantia que, acontecendo o problema novamente, eu não tivesse os mesmos aborrecimentos, já que a regra absurda e abusiva permanecia e que este era para mim um problema de cidadania e de correcção de uma prática comercial abusiva que eu gostaria até que fosse extrapolado do meu caso para o geral, de onde esperaria a decisão do juiz. Embrulhou-se numa resposta sobre os altos custos da reparação. Ao que eu lhe perguntei se pelo menos existia um centro de assistência técnica da Sony em Portugal? Não soube responder. Pareceu-me que ele só conhecia aquele caso e não conhecia mais da Sony do que os televisores, o AXN, et pour cause as consolas. Apesar de apenas contratado pela Sony e de não pertencer à empresa, devia-se ter informado minimamente. Há que fazer o TPC! Já não digo fazer como os jogadores de xadrez: antecipar várias jogadas, suas e do adversário. Depois de alguma conversa, de parte a parte, para encher pneus, avanço uma contraproposta: eu entregava o equipamento e recebia o dinheiro do mesmo, deduzidos os 30 euros do custo da reparação, ou seja, do dano que causei, de acordo com a avaliação da Sony. O pobre não tinha sequer pensado nesta proposta. Pediu-me, então, 20 minutos e que já me ligava. Foi falar com o patrão. Se mais não houvesse, via-se, por aqui, o modo amador como preparou a negociação e o elevado grau de autonomia negocial de que dispunha. Ligou-me com nova proposta: substituição da consola por uma consola nova, sem quaisquer custos. Porém, com um tom e uma outra expressão velada de quem diz: «estragaste e não vais pagar mas nós assumimos tudo». Do lado de cá, disse-lhe: «ó doutor» – alterei o tratamento de sôtor, que tenho por mais respeitoso, para o de «ó doutor», que é uma fórmula mais polida de me colocar ao nível do «eh pá» - «quero que saiba que a Sony não me está a fazer nenhum favor e que eu aceito a proposta, por ser um mal menor, mas que o meu desejo era mesmo pagar o dano que causei e entregar a consola, porque a Sony enquanto empresa deixou de me merecer qualquer confiança e que neste momento compro mais facilmente um equipamento num comerciante de feira do que na Sony». Não houve resposta ou houve uma não-resposta: «posso, então, fazer um fax para o Centro de Arbitragem a dizer que chegámos a acordo». Era só o que pobre queria saber. Resposta: «Pode»…Etiquetas: Empresas
Comprei uma consola PSP em Dezembro passado. Oferecia-a no dia de Natal. O destinatário, por descuido, inabilidade, ou ambos, fez o favor de, no primeiro contacto com o equipamento, danificar – leia-se partir – uma dobradiça da portinhola dos CD e soltar do sítio uma peça metálica de encaixe dos CD. Começa, então, o périplo. Contacto a assistência ao cliente da Sony e dizem-me que não reparam a consola, mas que apenas trocam a consola por uma nova, contra o pagamento de €90. A consola custou €220. Com a paciência evangélica que inicialmente me caracteriza nos primeiros contactos com as empresas da Pólis, perguntei, então, se isso constava das condições de garantia e de venda do equipamento. Ao que me disseram que não mas que era a política de empresa. Ao que eu retorqui que nunca tinha ouvido falar de tal sistema de substituição e que o normal seria existir uma assistência técnica que reparasse o bem a um preço inferior a metade dele. E acrescentei que sendo essa política vantajosa para equipamentos com muito uso era ruinosa para quem nem uma única vez utilizou a consola. Resposta: que era a política da empresa. Quando a cassete rebobina e volta ao princípio e a conversa entra na fase de estribilho de música, passo, então, à fase de colocar hipóteses de trabalho. É um processo maiêutico, destinado a levar as mentes a pensar e a perceber a pouca razoabilidade das regras que preconizam: «Imaginemos que uma marca de automóveis fazia o mesmo: eu adquiria um automóvel novo; no dia seguinte danificava uma das portas e a marca respondia que só me poderiam dar um novo, contra o pagamento de cerca de 50% do valor do mesmo!». A comparação, sendo lógica, não demoveu a criatura que me atirou com o estribilho: «são estas regras; é esta a política da empresa». Passo, então, à fase de pré-litigância. Peço o endereço de mail para efectuar a respectiva reclamação. Resposta: «não temos mail». Como?! A Sony não tem endereço de mail para reclamações?!?! Resposta: «Não, apenas fax». Pergunto, então, com ar cândido, se não estou a ligar para a Sony, a empresa que fabrica equipamentos electrónicos?!?! É a fase da pré-litigância jocosa, que ilude a irritação e o espanto de antever que mesmo a reclamação não vai dar em nada, porque aquela gente nem sequer habituada a lidar com reclamações está. Sem fé, uso o fax e a reclamação lá segue. Quinze dias depois, na ausência de resposta, telefono para saber em que pé está a dita. Que não sabe, que vai ver. Vê e atira-me com uma resposta imperial: «tenho a informação de que não vai ter resposta, porque a resposta já está dada: não há reparações, apenas substituição da consola contra a entrega de 90 euros». Pergunto-lhe, aí já sem ar cândido, porque é que, então, não me disseram que não valia a pena sequer fazer a reclamação. «Isso não lhe consigo dizer». Atinjo o grau de tolerância zero com a Sony e passo à fase da litigância aberta. Entrego uma exposição ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo, que enceta, debalde, contactos com a Sony, não obtendo melhores resultados do que eu… Aquilo é uma parede. É como falar para um dos televisores que eles produzem. Mas há lá pessoas atrás daquilo… Dizem?! É então marcado o julgamento arbitral…Etiquetas: Empresas
Etiquetas: Empresas
Etiquetas: Administração Pública, Leis, Pessoais, Sindicatos