27 de abril de 2007
Parece que - pelas televisões da Pólis o soubemos - Carmona Rodrigues foi constituído arguido no caso Bragaparques. É sempre assim, sabemos da constituição dos arguidos ou pelas televisões ou pelos jornais. Nunca pelo canal certo, o da Justiça. O Procurador-Geral da República da Pólis, claro, nada diz sobre isto. Aliás, já em tempos disse tudo, ou seja, que não havia nada a fazer. De onde, tudo vai continuar assim. O que eu não deixo de meditar é que, por exemplo, no caso das OPA, nunca se sabe o que vai acontecer antes de realmente acontecer, no sítio certo. O mesmo se passa no caso da sucessão de Belmiro de Azevedo na SONAE e/ou noutros negócios da Pólis. Faz-se, assim, jus, e de que maneira, ao velho rifão de que o segredo é a alma do negócio. Também nesta falta de profissionalismo, de rigor, de cumprimento das mais elementares regras se vê a decadência do Estado de Direito. Hoje temos apenas o Estado da Economia e, quanto mais não seja por antinomia, merece o lugar que ocupa. É o estado da arte...
25 de abril de 2007
O Impasse
A criatividade e a plasticidade da língua da Pólis são notáveis e não deixam nunca de me surpreender. No domingo, por mero acaso – ainda por cima como ia para um aniversário de uma amiga levava máquina fotográfica: há horas de sorte - dei de caras com um Impasse. E estacionei o carro no Impasse. Pois é! Trata-se de uma rua. A rua ou travessa chamava-se – e chama-se – Impasse à Rua General Taborda e fica ali para os lados de Campolide. Andei pelos dicionários – também dei uma vista de olhos a uns corpora linguísticos existentes na net – e fiquei num semi-impasse. Curiosamente, o da Academia dá-nos, ainda por cima como primeiro significado, «beco sem saída». E não refere ser em sentido figurado, de situação bloqueada ou de difícil ultrapassagem, mas atrevo-me a achar – dada a vulgaridade da expressão - que é disso que se trata e não de um beco, rua ou travessa literalmente sem saída. Abonações: zero, o costume. O Houaiss faz, apesar de tudo, jus à fama de que goza e refere a data da introdução da palavra: séc. XX. É curto mas é qualquer coisa. Como aliás se comprova nos dicionários mais antigos (Morais e Cândido Figueiredo) onde a palavra não consta. Trata-se, pois, de um galicismo recente. Mas é contraditório na questão do sentido da palavra. Os outros que consultei, parte também refere «beco sem saída», mas não esclarecem se alguma vez a palavra teve esse sentido concreto. Seja lá como for, nunca me tinha deparado com a palavra impasse nesta acepção. Porém, independentemente das dúvidas sobre a dicionarização deste seu sentido, a palavra está muitíssimo bem aplicada. E é expressiva até dizer chega. É que uma rua sem saída é mesmo um Impasse, do qual ninguém passa. E não menos curioso é que não só não se passa fisicamente daquele Impasse como também o dito Impasse resiste a tudo. Então não é que o Impasse já não devia ser Impasse mas a situação continua num impasse. Pois é! É que a Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade o fim do Impasse. Com o douto parecer da Comissão Municipal de Toponímia, aquele Impasse chama-se, desde 2004, Rua Campos Júnior. Apesar disto lá continua impassível (falsa amiga esta palavrita: é que a raiz não é a mesma!) o Impasse. Anote-se que apesar de pouco vulgar, ainda descobrimos mais uns quantos - poucos - Impasses por esse país fora... Admite-se, porém, que haja bastante mais Impasses do que aqueles que constam na toponímia...
P.S. - Na verdade, e segundo o Petit Robert, o Impasse foi introduzido na Língua Francesa em 1761, com um sentido concreto, significando «petite rue qui n'a pas d'issue», após o que ganhou um sentido figurado de «situation sans issue favorable», assim aparecendo em 1845. Creio que a palavra deve ter sido importada tal qual. Porém, claramente, o primeiro sentido não vingou, entre nós, tendo o sentido figurado sobrepujado o concreto, hoje quase em desuso.
Nota - Imagem: Pólis&etc.
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21 de abril de 2007
Passando por Soares… o insubstituível 4.º poder...
No jantar de aniversário do PS, ocorrido na quinta-feira, Mário Soares fez, em relação ao caso Sócrates, o que corporativamente se esperava. Podia tê-lo feito de forma menos solidária, menos implicada, à semelhança, aliás, do que o próprio Sócrates fez com ele nas presidenciais. Preferiu, porém, ir mais além e meter-se bem no lodaçal da polémica. E, também ele, caucionou o Primeiro-Ministro, José Sócrates, comparando o que não é comparável. Ou seja, comparando o que se passa agora com Sócrates, com o que se passou no passado com Ferro Rodrigues. Ora, ataques «sórdidos e infundados», «com raiva, sem critério» - como ele referiu - são declarações adequadas ao que se passou com Ferro Rodrigues. Aliás, o que se passou com Ferro Rodrigues foi comparável – isso sim – ao que se passou com os boatos sobre Sócrates aquando das eleições legislativas. Não é o que se passa agora. E, ou a semântica já se alterou e não me disseram, ou sórdido, infundado, raivoso e sem critério não são adjectivos ou expressões aplicáveis ao que agora se passa… Infelizmente… E disso são exemplo os jornais da Pólis que deram, neste particular - até demais, atentas as grandes hesitações iniciais aqui criticadas (1.ª e 2.ª) - prova de um bom senso e de uma objectividade meridianos na análise desta questão… Foram, continuam a ser e ainda bem, o insubstituível 4.º poder da Pólis…
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18 de abril de 2007
O cego da frente…

Pela minha parte, que já só ocasionalmente faço escolhas eleitorais, por norma voto branco (muito antes da moda Saramago): ultimamente nulo, por via de umas habilidades que ouvi de boca idónea, recorrerei cada vez mais ao uso desse instituto…
Nota - E a imagem, fomos buscá-la aqui.
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15 de abril de 2007
Cerrar fileiras…
Como se já não bastassem os partidos. Todos! Agora também o Presidente da República (PR), Cavaco Silva, aceitou caucionar o caso da licenciatura do Primeiro-Ministro (PM), José Sócrates. O fantástico argumento foi: «há coisas mais importantes para o País». Cito de memória das televisões da Pólis. Oiço e pasmo! Mais valia estar calado. O PR é o último garante do regular funcionamento das instituições. E, face a isto, devia ter um de dois comportamentos: ou tomar posição ou não se pronunciar. E não se pronunciar, seria apenas dizer que não comenta. Até porque ainda pode vir a ter de engolir aquelas palavras face aos futuros desenvolvimentos do caso. Os últimos dizem que o certificado da Universidade Independente (UnI) entregue pelo PM na Câmara da Covilhã não coincide nem nas datas, nem nas classificações, nem sequer nos telefones e códigos postais da UnI com o que o PM mostrou na televisão. A UnI já admitiu que pode ter havido documentos forjados. O PM já confirmou ter entregue aquele documento na Câmara da Covilhã. Espanto-me como é que o PM não conferiu pelo menos as classificações quando lhe entregaram o documento! Por sua vez, o Procurador-Geral da República (PGR) disse esta semana não encontrar qualquer motivo para se investigar o caso da licenciatura do PM. O que era, na altura, apesar de tudo, compreensível face ao que veio a lume. E agora, será que não vai investigar se aquele documento é falso ou não?! A continuarmos neste ritmo de cerrar fileiras das instituições do Estado só porque se trata do PM, a partir de agora – sublinho - tudo pode ser possível, a alguns… no tal Estado de Direito, supostamente garante da igualdade de todos perante a lei… Estamos no pântano… Pela minha parte, confesso uma vez mais, não rejubilo a cada nova contradição neste caso. Pelo contrário, gostava que isto se esclarecesse e se encerrasse de vez. É que me custa ver o comportamento das instituições do meu País, desta minha Pólis, neste caso e neste estado…
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14 de abril de 2007
Hipócritas
Nunca votei no PSD. Não tenho simpatia política pelo PSD e pelo seu ideário. Não tenho simpatia pessoal pelo seu líder, Marques Mendes. Não votei no PS nas últimas eleições legislativas. Apesar disso tinha, até há pouco tempo, um respeito pessoal absoluto pelo Primeiro-Ministro (PM), José Sócrates. Nos últimos dias, o líder da Oposição tem estado sob fogo cruzado, pelas declarações feitas após a entrevista do PM. O problema - dizem - foi o chamado «julgamento de carácter» feito acerca do PM. Eu acho que ele foi corajoso. Ele apenas disse o que toda a classe política pensa e não diz. Ele apenas disse o que, independentemente das nossas simpatias políticas e pessoais, todos pensamos, mas não o dizemos. Caso já nos tenhamos esquecido, a isto chama-se hipocrisia. A classe política sai muito mal disto tudo. A confiança pessoal no PM sai minada. O pântano é agora, não foi com Guterres… Esclareço ainda que não desejo esta situação. Esclareço ainda que claramente preferia que o PM, este ou qualquer outro, talvez até mais este do que qualquer outro, pudesse sair bem de tudo isto, tal como se saiu bem do caso Freeport e do boato hediondo sobre a sua sexualidade. Infelizmente, isso não aconteceu... E tenho pena...
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7 de abril de 2007
Para lá da boa imprensa…
Nota - E a imagem, fomos buscá-la aqui.
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6 de abril de 2007
Ainda a boa imprensa
Continuo pasmado com a boa imprensa do Primeiro-Ministro (PM), José Sócrates. Após O Público ter quase pedido desculpa por abordar o tema da licenciatura do PM, alguma imprensa escrita – ainda não toda – e parte das televisões da Pólis – ainda não todas - tiveram de se render à evidência e pegar na estória. Mas custou! Passou-se agora da fase do pedir desculpa por pegar na estória para a fase da desculpabilização do PM por parte dos fazedores de opinião da Pólis que vão dissecando o que diz a imprensa. Já vi de tudo. Uns dizem que é a Universidade que tem de explicar as trapalhadas?!?!? O PM fez o curso e pronto! Outros avançam explicações sociológicas e dizem que o mal é procurar-se a nobilitação pelo canudo. Cita-se o século do XIX e traça-se a bissectriz: onde antes se procurava ser barão, conde ou visconde, hoje procura-se ser doutor, engenheiro ou arquitecto… E pronto! Outros dizem que o PM é inteligente e competente e que, por isso, não precisa do curso para nada. E pronto! Outros que até já fez pós-graduações noutras universidades mais prestigiadas, de onde já adquiriu a legitimidade que lhe faltava naquela. E pronto! Outros ainda dizem que o mal foi o gabinete do PM - não do PM?!?! - ter dado importância àquilo e procurado condicionar as redacções e impedir as notícias. E pronto! Enfim, há versões para todos os gostos e feitios. Mas parece que nenhum dos opinion makers da Pólis ousa achar - só achar - que se deve pedir ao PM explicações sobre o que de facto aconteceu e que ele deve explicá-lo. E o PM ainda não falou mas parece que vai falar, para a semana, depois de o Ministro da Ciência e do Ensino Superior se pronunciar sobre o fecho ou não da Universidade Independente. É decisão assisada, sim senhor! Mas não deixo de me interrogar sobre quantos responsáveis políticos já saíram por muito menos: uma anedota de mau gosto, uma frase infeliz, uma sisa inferior à real, uma voz dissonante na equipa, umas aparições nocturnas ou diurnas em festas e folguedos?! Adensa-se o case study. Acho que os portugueses têm um verdadeiro fascínio por lideranças distantes e de perfil austero. A filiação é longa e antiga e termina em José Sócrates…
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3 de abril de 2007
Com duas contas se faz uma croniqueta
Cai-se frequentemente na tentação fácil de denegrir a imagem dos políticos (sem k, acrescente-se). E caímos todos, desde o motorista do táxi ao comentador político. Está instituído. É assim porque sim. Porém, aos segundos exige-se mais responsabilidade. Li com pasmo a coluna de Manuel António Pina (MAP) na Visão deste semana. O dito MAP titula o escrito de Notícias do Canal Parlamento e nele retira umas conclusões apressadas sobre o trabalho da comissão parlamentar que investigou o caso do Envelope 9. Para além do inacreditável elogio ao trabalho do Ministério Público (MP) e da Procuradoria-Geral da República neste processo?!?! É, aliás, o primeiro comentador a quem ouvi elogios à condução do caso do Envelope 9! É de pasmar, de facto! Conclui ele que a comissão, composta por onze deputados, gastou 113 816,01 aérios para, como ele diz, «concluir que, afinal, nada havia a concluir». Ainda pensei que aquele valor fosse retirado de algum relatório da AR ou de um programa do Canal Parlamento. Nada disso! É apenas produto de duas multiplicações do autor do Pequeno livro de desmatemática: 3448,97 aérios (salário mensal de um deputado) X 11 (deputados) X 3 (meses). A ordem dos factores é arbitrária. Dá ainda de bónus que o cálculo foi feito pelo «salário-base de 2005, fora as alcavalas». Deste lado deduz-se – não é explicado - que se trata do salário bruto… E pensa-se se os deputados estiveram os tais 90 dias consecutivamente nos trabalhos daquela Comissão? Para depois se concluir que este é dos mais inqualificáveis, primários e populistas raciocínios que ultimamente tenho visto expressos em colunas de opinião. Se um político fizesse semelhante exercício, MAP e os demais zeladores da Pólis cair-lhe-iam decerto em cima… Seria interessante – digo eu - que o dito MAP, tão célere a defender o MP como pressuroso na aritmética, fizesse também as contas a quantos procuradores estiveram envolvidos na investigação do Envelope 9, por quanto tempo e quanto é que isso custou ao erário da Pólis… sabendo-se até que – absurdamente – a maioria dos nossos procuradores ganha mais do que os nossos deputados… E já agora valia a pena ainda saber quanto custa aos cidadãos da Pólis cada processo instruído pelo MP, qual é a taxa de processos ganhos e quanto custa cada processo ganho… Teríamos aí, certamente, números para uma boa reflexão…
A infância, essa grande escultora...

Nota - E a imagem, fomos buscá-la aqui.
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