19 de novembro de 2010

A oeste nada de novo!

A crise descentrou as atenções dos bancos e centrou-as nos estados que se endividaram para acorrer aos bancos e/ou pôr dinheiro na economia. Ao sector financeiro, a crise trouxe umas falências e umas prisões nos Estados Unidos, um ténue reforço da regulação na Europa, e pouco mais. Tudo continua mesma. Mesmo entre nós.
Tenho um depósito a prazo no BIG. E fui contactado recentemente sem o ter pedido, por mail e por telefone. Transcrevo o mail que é bem elucidativo de que pouco mudou.
Ou seja:
  1. Os bancos continuam a aliciar os clientes com depósitos tradicionais, sem que estes o tenham pedido, com produtos de maior risco;

  2. Os bancos arrogam-se no direito de, quando o cliente não responde à mensagem, telefonarem e quando o cliente diz não, perguntarem, como me perguntaram: «mas não tem interesse por alguma razão especial?!»;

  3. Os bancos continuam a ter uma linguagem críptica e quase cifrada: tive obviamente de pesquisar para saber o que era um unit linked;

  4. Desconto obviamente as gralhas e os erros grosseiros de português e mesmo toda a sintaxe da mensagem, que só comprovam que a literacia financeira, se existir, não é acompanhada da literacia em língua portuguesa.
Exmo. Sr. [...]
Boa tarde,
Venho por este meio fazer-lhe uma sugestão para o capital que actualmente possui investido num depósito a prazo. A intenção deste investimento seria na óptica de diversificar o capital de forma a que retirasse a maior rendibilidade possível.
Aqui coloco uma breve explicação do produto e em anexo a carteira que acho que se adequa ao seu perfil de investidor.
O Eurovida BiGLink é um contrato de seguro de vida com formato “unit linked”, composto por fundos de investimento e classificado como ICAE (instrumento de captação de aforro estruturado) que combina diversificação, qualidade, flexibilidade e eficiência fiscal da seguinte forma:
- gestão profissional e especializada à tanto de quem faz a escolha dos fundos que integram as carteiras como das equipas de gestão dos mesmos: as carteiras integraram fundos investimento geridos por algumas das mais prestigiadas casas gestoras mundiais.
- poupança fiscal no curto prazo à dentro das carteiras, dado que nas transacções realizadas com mais-valias as mesmas não estão sujeitas a retenção na fonte; nos resgates parciais, desde que o somatório dos valores levantados não seja superior às entregas efectuadas, não existe retenção na fonte;
- poupança fiscal no longo prazo à desde que 35% das entregas ocorram na primeira metade do contrato, entre o 5º e o 8º ano a retenção na fonte é de 17,2% e depois do 8º passa a 8,6%;
Realço que este tipo de produtos “unit linked” como são feitas sobre a forma de seguro de vida com capitalização (no caso do BiG Link a gestão administrativa é feita pela Eurovida) tem eficiências fiscais, a saber:
- no curto prazo à sempre que fazemos realocações na carteira que resultem em vendas de fundos com mais-valias, não existe qualquer tipo de retenção sobre as mesma (por comparação, quando o investimento é feito directamente em fundos existe retenção na fonte de 21,5%);
à em levantamentos parciais do valor investido, mesmo que o valor global do investimento tenha ganhos, não existem retenções. Ex: investem 10000€, daqui a 1 ano a carteira vale 12000€, mesmo que levante 2000€ (o “ganho”) como o valor levantado é inferior ao investido e por lei neste tipo de seguros de capitalização apenas são tributadas as mais-valias, não existe qualquer retenção na fonte (por comparação com um fundo, sempre que realizam mais-valias são retidos na fonte à taxa liberatória de 21,5%).
- no médio/longo prazo à sendo estes produtos típicos de “poupança”, quando levantados na totalidade depois do 5º e 8º ano após o investimento, a retenção sobre as mais-valias que possa existir passa a fazer-se às taxas de 17,2% e 8,6%.
Aguardo algum feedback da sua parte no que diz respeito ao interesse pelo produto.
Com os melhores cumprimentos,

[...]
Financial Advisor
Banco de Investimento Global – Agência de Picoas
Av Fontes Pereira de Melo n.º 35A - 1050-118 Lisboa
T. 351 213 584 724 - F. 211 206 809 BiG.pt

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10 de junho de 2010

Economês

Uma notícia do Expresso deste fim-de-semana dava conta de que o Banco de Portugal caçou a licença ao braço-direito de João Rendeiro no BPP, Paul Guichard, nome que não tem estado na berlinda e de que raramente se ouve falar. É um erro achar que casos como o BPP ou o BPN se deveram exclusivamente a João Rendeiro e Oliveira e Costa. Não é possível, nos dias de hoje, a um só homem montar colossais embustes, como por exemplo o do BPN.
A dada altura, diz o Expresso:
«Paul Guichard promoveu a criação de 12 offshores, sobretudo, “com objectivos de alisamento ou window dressing de resultados e parqueamento de investimentos em veículos de private equity».
A frase é notável. Veja-se a quantidade de termos ingleses e o nível de metáfora de termos ingleses e portugueses. O que reflecte muito do que é hoje a linguagem económica. Ao contrário de outros, vejo com agrado a importação, com ou sem aportuguesamento, de termos e sobretudo os níveis de metáfora que me parecem intelectualmente bastante estimulantes. Agora o que acho é que a linguagem jurídica ou o eduquês, por exemplo, onde a importação de termos e os níveis de metáfora são bastante mais baixos, têm sido bastante mais maltratados do que o economês. Talvez porque não estejam na moda...
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11 de abril de 2010

Diga lá Excelência!

De quando em vez surgem na televisão com grande destaque umas notícias ou umas não-notícias que nos dão a conhecer actos administrativos caricatos praticados por organismos públicos. Por exemplo, despesas hospitalares ou pagamentos de taxas ou impostos de uns míseros cêntimos ou euros que seguramente não pagam as despesas postais e/ou as despesas de emissão dos documentos. Com isto pretende-se dizer que o Estado é incompetente, ineficaz e ineficiente. Alimentando esta tendência, inculcando-a na opinião pública, prepara-se o terreno para a privatização de todas as funções do Estado. Não escapando a este vórtice mesmo as áreas do último reduto, como por exemplo, as ligadas à segurança. Embora hoje esses expedientes sejam cada vez menos necessários, pois o que resta da soberania do Estado é já muito pouco. Aliás é para formar essa opinião que alguns grandes empresários apostam em projectos de comunicação social. Não tenho sobre isso grandes dúvidas.
Por contraponto, no sector privado tudo corre sempre no melhor dos mundos e o nível de serviço é um oásis de excelência. Nunca por nunca ocorrem situações daquelas. Tanto que não me lembro de ver nenhuma reportagem com um caso desses. O que trago aqui é, pois, seguramente um exemplo único e irrepetível... Já que, como todos sabemos, os serviços públicos são maus e os privados excelentes...
Sou cliente desde há alguns anos do Barclays Bank onde até ao ano passado tive um empréstimo para crédito à habitação ao qual estava associado um seguro de vida. Do referido seguro não paguei um cêntimo em 2009 mas mesmo assim, no início de 2010, e para efeitos fiscais, chegou-me a declaração que mostro, dizendo que paguei 0€! É verdade, 0€! E enviaram-me essa declaração para efeitos fiscais?!?!?!? Imagino que se isto se passasse com as Finanças, com um Hospital, com uma Câmara Municipal não faltassem as reportagens e as notícias… Mas não passou. Passou-se com um serviço de excelência, o do Barclays Bank, prestado por um sector de excelência: a banca...

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18 de junho de 2009

Não aprendem

Tenho há cerca de 6 anos uma conta no Barclays Bank. Durante este período já tive quatro ou cinco gestores de conta. Sempre cada vez mais jovens e sempre cada vez mais obtusos. Agora tenho um que me manda mailes sem nenhuma mensagem. Qualquer coisa do tipo: «na sequência da n. conversa telefónica, junto lhe envio, cumprimentos». Nem educação têm. Vou-lhes tirando a pinta pelo telefone. Só conheci um deles pessoalmente.
Mas, os gestores de conta não se fizeram para o tal tratamento personalizado, para criar proximidade com o cliente. A este ritmo? Pois! Pior, em rotatividade, só mesmo ser treinador do Benfica…
Da última vez, há umas semanas, o jovem tentou vender-me pela segunda vez um produto estruturado. Pedi-lhe, por desfastio, o folheto de divulgação que me dizia, entre outras coisas, que aquilo tinha por base uma offshore sediada nas ilhas Caimão, que a emissão era feita por um banco de Nova Iorque e que não devia dispensar a leitura do folheto completo que se encontra… na sede do Barclays em Londres… Para a responsabilidade que envolve a decisão, a tradução portuguesa é medíocre…
Não há condições! Esta gente não tem educação, não conhece, nem dá credibilidade ao que vende, nem sequer aprende com o que se passou recentemente…

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11 de fevereiro de 2009

1100 milhões sem explicações

Numa decisão tomada ao domingo, de forma abrupta, e sem nenhuma discussão pública prévia, o Governo decidiu nacionalizar o BPN, em risco de falência iminente, devido a um buraco de 700 milhões de euros.
Para garantir os depósitos dos clientes, há um fundo próprio, pelo que não havia necessidade de proceder a nenhuma nacionalização.
Para evitar o efeito de contaminação e o abalo na confiança pública nos bancos, bastaria dizer-se que o BPN representa apenas uns escassíssimos pontos percentuais de todo o sistema bancário.
Se um sistema – qualquer que ele seja – se reduzir em uns poucos pontos percentuais, isso não põe em causa tudo o resto. Bastará afirmar-se e provar-se que os restantes 90 e muitos estão fortes.
Os números são o melhor dos álibis.
Há uns dias, porém, ficámos a saber que afinal o buraco não era de 700 mas sim de 1800 milhões de euros. Um pequeno erro de estimativa…
Sobre o primeiro facto, ainda ouvi as justificações dos responsáveis que, na altura, - e sem contraditório público – até me convenceram. Do segundo, já nem sequer ouvi qualquer explicação. Ou seja, sobre 1100 milhões, parece que ninguém se sentiu compelido a uma justificação. Segundo li, também, aquela cifra representa metade do custo do novo aeroporto…
Já sabemos que os números a partir de certos valores perdem verosimilhança...
Hoje, porém, e após anos de aperto e de se andar literalmente a rapar o tacho, por vezes de forma quase miserável, parece que, além de verosimilhança, os números deixaram de ter qualquer valor…

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2 de novembro de 2008

Nacionalizado, nosso…

O BPN foi nacionalizado. Ouvi hoje com espanto esta notícia. Essa palavra maldita há muito que havia sido banida do léxico comum, sendo substituída pela palavra privatizado. Quero dizer desde já que, atento o que está em causa, não acho mal a intervenção do Estado. Agora, vou esperar para ver os contorcionistas, os malabaristas, os equilibristas, os trapezistas e a gente de outras especialidades circenses, depois disto, continuarem com slogans como: Menos Estado, melhor Estado, defenderem um Estado mínimo, fraco, regulador envergonhado, cobrador de poucos impostos e acantonado àquilo a que agora se chamam funções de soberania. Não duvido sequer que isto se passe. Por estes dias e com estes artistas, a desfaçatez não tem limites. E, se calhar, amanhã mesmo ainda vou ver a gente que hoje aplaude a nacionalização do BPN a defender com o mesmo afã, por exemplo, a privatização da Caixa Geral de Depósitos...

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13 de outubro de 2008

Pequenos-almoços grátis

O governo avalizou, até ao limite de 20 mil milhões de euros, os empréstimos bancários que os bancos portugueses vão fazer entre si e nos mercados internacionais. Fez bem. Mas eu, como cidadão, gostaria de saber, se os bancos vão pagar alguma comissão ao Estado. É que, como se sabe, as garantias bancárias pagam-se. Aliás, nos bancos, tudo se paga, até ao último cêntimo. E não há, como sempre repetem com um sorriso escarninho os liberais, neo-liberais e afins, almoços - nem sequer pequenos-almoços - grátis. Seria bom, por isso, que conhecêssemos os contornos desta «garantia», sobretudo se, como parece, ela foi absoluta e portanto sem contrapartidas, ou se vai haver alguma verba paga pelos bancos ao Estado e qual é o seu montante... É que... não deve haver almoços grátis...

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Frases da Pólis VIII

Já se sabe que a economia não tem ideologia. A única ideologia da economia é o lucro. No plano das ideias, ninguém espera dos agentes económicos a coerência e a consistência dos ideólogos. Mas mesmo assim, conviria pelo menos disfarçar um pouco e usar de algum decoro. Não se pode dizer hoje uma coisa e amanhã literalmente o seu contrário. Por estes dias, porém, ouve-se de tudo das gentes mais insuspeitas. Na passada segunda-feira, ouvi, no Prós e Contras, ao presidente da CIP, Francisco Zeller, esta frase espantosa:

«Não me importo que o Estado oriente o mercado, desde que não seja por muito tempo».
Hoje, ao mesmo programa, vão os presidentes dos principais bancos...

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25 de setembro de 2008

O time-sharing dos bancos

Ouvindo e lendo as declarações do presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, a culpa do endividamento dos portugueses é deles próprios, porque pediram o que não conseguiriam pagar. Bem como das agências de viagens, dos promotores imobiliários, das marcas de automóveis que promovem campanhas publicitárias que prometem facilidades. Nunca dos bancos. Ora, isto, sendo verdade, é só meia verdade. Primeiro, porque por detrás do crédito ao consumo de viagens, casas e carros, há bancos e sociedades financeiras. Segundo, porque os bancos fazem das campanhas publicitárias mais agressivas que existem no mercado.
Pessoalmente, já recebi chamadas telefónicas a oferecer-me crédito de todas as maneiras e feitios. Num caso, uma gravação pedia-me apenas para dizer sim; noutro, enviaram-me um cheque de milhares de euros em meu nome que para ser creditado na conta, bastava o seu envio num envelope RSF, etc., etc.
Sendo ainda mais concreto, dou o exemplo da compra da minha casa.
Há um par de anos comprei o apartamento onde vivo. Sem entrar em detalhes de valores. O apartamento custou 50. Eu tinha 15 e uma casa que valia 20. Como não tinha ainda vendido a casa, tive de pedir 35. Vendi a casa cerca de um ano depois e entreguei esse dinheiro ao banco para amortização do capital em dívida. Nessa altura, o banco tentou por variados expedientes dissuadir-me de entregar o dinheiro. Tive mesmo de ser algo assertivo para que a gestora de conta e um director comercial – que ela convocou expressamente para aquela reunião – aceitassem a decisão. Pelo meio, tentaram vender-me investimentos e aplicações sem que eu nunca os tivesse pedido. E nem sequer pude dar os 20 que recebi da venda da casa, apenas me permitiram entregar 17,5, já que o contrato só autorizava, sem juros, uma amortização anual inferior a 50% do capital. Ou pagaria uma taxa de juro obscena. E mesmo para entregar esse dinheiro ainda tive de pagar uma taxa administrativa de €125.
Continuei, nos anos seguintes, a fazer amortizações de capital de sensivelmente 50% do empréstimo, pagando, até há dois anos, em que o Banco de Portugal acabou com essa marmelada, uma taxa administrativa de €125. Só em taxas para entregar o dinheiro paguei, ao longo de alguns anos, umas centenas de euros. Ora, como se vê por estes exemplos, os bancos também promovem o endividamento. Aliás, esse mesmo banco enviou-me em tempos – sem que eu lhe pedisse – um cartão de crédito que nunca usei, obrigando-me, para desistir dele, a um pedido por escrito e cobrando-me uma taxa obscena por ter tido um cartão que nunca pedi e que nunca usei. Isto com base apenas no «quem cala, consente»!
Sinceramente, hoje já pouco distingue os bancos – que há 20 atrás eram instituições idóneas e com alguma ética de comportamento – dos vendedores de time-sharing que nos abordavam na Rua Augusta vendendo férias...
Foto - TSF

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25 de maio de 2008

Politiqueira e reles...

Os nossos banqueiros quase não aparecem nos media, e quando o fazem é sobretudo nos media económicos. Cultivam um low profile quase absoluto. Não aparecem. Não têm o desejo de aparecer, nem de se fazer notar. Querem apenas comprar e vender dinheiro. E conseguir sempre maiores lucros. A discrição é a regra do negócio. Criam com isso a confiança dos clientes. Cito de memória apenas alguns dos, apesar de tudo, mais mediáticos: Ricardo Salgado, Jardim Gonçalves, Paulo Teixeira Pinto, Filipe Pinhal, Fernando Ulrich. Alguns deles, uns mais outros menos, aparecem mesmo como uma espécie de príncipes de Renascença, de pose exemplar, declarações estudadas, medidas, totalmente substantivas. Mesmo sob pressão, nunca perdem o polimento a toda a prova e deixam a chicana para os outros protagonistas da arena social, como por exemplo os políticos. Que aliás lhes fazem a vontade, com declarações que só os descredibilizam. Criam com isso desconfiança junto dos cidadãos. Por isso descremos dos políticos e acabamos por crer nos banqueiros. Mesmo que mais enlameados com toda a sorte de salários e de privilégios decididos em causa própria, com negócios com contornos fiscais pouco claros, quase nunca aparecem com mais do que salpicos. Há semanas, ouvi e estranhei um deles sair do tom. Foi Fernando Ulrich, que qualificou uma putativa iniciativa do Governo para controlar os salários dos gestores de topo como politiqueira e reles. Nunca tinha ouvido um banqueiro usar este tipo de linguagem, estes adjectivos. É claro que a putativa medida mexe com aquilo que é mais sagrado para ele, o vil metal. Daí a reacção! Mas não deixou de ser sintomático!
Isto veio-me à memória, depois de ouvir hoje, numa das televisões da Pólis, que o Real Madrid terá oferecido 82 000 euros por dia a Cristiano Ronaldo.
Não me incomodo com os salários alheios. E sou inteiramente favorável ao prémio do mérito. Os melhores têm e devem ganhar mais. Já por aqui me manifestei inclusive favorável ao pagamento do polémico vencimento do antigo director-geral das contribuições e impostos, Paulo Macedo. Mas os valores que têm vindo a lume sobre os salários de alguns gestores de topo e de alguns futebolistas de topo são tão obscenos que nos devem obrigar, sobretudo na actual conjuntura económica-financeira, a pelo menos equacionar algum tipo de regulação.

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9 de fevereiro de 2008

Onzeneiros... hoje

Onzeneiro – aquele que emprestava dinheiro a 11%; usurário, agiota.

Fala-se muito no fosso que cada vez mais separa os mais ricos dos mais pobres. Fala-se muito nos vencimentos dos gestores de topo dos bancos e das grandes empresas portuguesas. Nas indemnizações e nas reformas vitalícias que recebem quando saem. Não se fala sobre as correcções que se deviam introduzir nisso?! E menos ainda sobre o papel do Estado enquanto regulador do mercado. Fala-se é na redução do papel do Estado para entregar o que ainda lhe resta à iniciativa privada.
Atente-se nos lucros dos bancos portugueses que crescem anualmente a taxas de 20, 30% e mesmo mais. Aliás, qualquer grande empresa, quando apresenta os seus planos estratégicos, é sempre para crescer anualmente a mais de dois dígitos. Qualquer número abaixo disso é tido como pouco ambicioso. Comparativamente, os salários da grande maioria crescem de acordo com o valor da inflação ou até abaixo dele. É o mercado a funcionar, dizem!
A manter-se esta progressão, sem que social e politicamente se lhe ponha cobro, questiono-me sobre o caldo social que estamos a deixar criar-se...

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17 de novembro de 2007

Mais excelência?

O meu cartão multibanco (MB) de combate, aquele que é usado no dia a dia para as pequenas despesas, deixou de funcionar na rede do meu banco e nalguns terminais de lojas. Funcionava perfeitamente nas máquinas da rede SIBS. Fui a um balcão que me fica em caminho para resolver o problema. Para mal dos meus pecados, fui atendido por uma funcionária incompetente. Estava lá também uma colega, mas infelizmente tocou-me mais uma vez em sorte aquela que já conheço de outras andanças. E não gosto. É uma criatura de meia-idade. Terá talvez uns 55 anos. Pequena e anafada. Rosto redondo, algo vermelhusco, cabelo mal tratado e mal penteado. Uns óculos de meia-cana com aquele horroroso penduricalho que se usa ao pescoço para que não caiam completavam o quadro. É uma pessoa formalmente atenciosa, formalmente educada, e mesmo com alguns ademanes e maneirismos de uma artificial e antiquada afectação. Esses são, porém, os seus defeitos mais benignos. O pior é que é ineficaz. E tem um defeito maior, para mim capital, é estupidamente opiniosa. Fala do que não sabe e não tem ponta de sentido crítico. Além disso, defende o banco, mesmo as maiores cretinices, com a irracionalidade do cão de fila. É bem intencionada mas é burra. E não sabe sequer o que é um cliente.
Exponho a questão e começa o folclore. A criatura detém-se largos segundos a observar o cartão, à contraluz, à luz, vira e revira, com um olhar meio bovino mas a dar-se ares de perito forense em bocados de plástico. E remata em jeito de diagnóstico absoluto da perícia: «a banda está riscada». Vislumbrei o escopo último do comentário. A criatura estava a tentar imputar-me as culpas pela anomalia do cartão. Quem sabe até se eventualmente mesmo a tentar que eu arcasse com os custos. Olho para o cartão para, enfim, tentar perceber se a criatura tinha razão. E não tinha. Digo-lhe que não, que não vejo nada. De raça teimosa, a dita insiste: «Então não vê, nesta ponta?». E eu: «Não vejo absolutamente nada de diferente entre uma e a outra extremidade da banda!». Com alguma paciência argumentativa, digo à criatura que o cartão tem poucas semanas e umas escassas - vá lá - dezenas de movimentos. Teimosíssima, a criatura não se demove e volta a carga de forma quadrúpede. Que isso não importava, disse. Que o problema não estava em mim mas nos estabelecimentos comerciais que têm as máquinas MB e não as mandam limpar, porque a manutenção é cara e não sei que mais. Decidi, então, expor ao seu olhar forense os vários cartões que trago na carteira, todos eles com mais riscos na banda magnética do que aquele que devolvi. Um deles mesmo, de acesso a uma garagem, de aspecto surrado resultante dos maus tratos de 7 anos ininterruptos de carteira e que ainda hoje funciona. A criatura decidiu não insistir mais, passando à fase da resolução do problema. Exactamente aquela por onde devia ter começado. Sacou de um impresso e pediu-me que o preenchesse. E no final, lá estava a sacrossanta frase: «autorizo o débito na conta da importância referente à substituição do cartão» ou paleio equivalente. Não é pela importância, que é despicienda, mas sim pela atitude da criatura e do banco que tudo aproveita para esbulhar. Digo-lhe então com ar suficientemente peremptório: «Olhe que eu não vou pagar este cartão!». E ela: «Não paga nada». E eu: «Não é isso que diz na frase final onde eu depois vou assinar». E ela: «Mas tem um quadradinho para optar 'Sim' ou 'Não'». E eu: «Não tem absolutamente nada». Olhando para o impresso, faz um trejeito com o olhar como quem diz: «Burros! Que não puseram o quadradinho!». E nunca: «Olha! Não reparei que não tinha o quadradinho!». E diz-me: «Então coloque ‘Não autorizo’ na frase». E lá foi aquilo com um «Não» manuscrito. Ou seja: «NÃO autorizo o débito na conta da importância referente à substituição do cartão»?!?!?! Fantástico! Podia ter-me aconselhado simplesmente a riscar a frase, mas nem sequer isso lhe ditou a inteligência.
E é esta a excelência que nos tentam impingir…

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3 de novembro de 2007

Onde está a excelência?

Estou cansado de levar com a ideia de que o Privado é bom e o Público é mau. Mais: que o Privado é de excelência e o Público é mau. Olho, perscruto, e não encontro a tal excelência. Devo ter azar. Faço natação num organismo público. As mentes que governam a piscina decidiram este ano recorrer ao outsourcing. Ou, como agora também se diz, à externalização. Já entregue a exploração ao sector privado, pedi um horário. Deram-me uma coisa mal amanhada a que chamaram horário. Tive, desde logo, dificuldade em consultar e interpretar o dito horário. Questionada, a empresa teve as mesmas dificuldades. O problema podia ser meu, mas não era. Além das insuficiências de concepção, havia um horário incorrecto. Assinalei o facto há semanas. Mas lá continua hoje, ostentando o erro. A fotocópia era ranhosa e como aquilo foi feito a cores e tem sombreados, a fotocópia a preto e branco é um amontoado informe e ininteligível. No momento de pagar, constatei que não tinham Multibanco. Pois, sim senhor, que eu tinha razão, mas que ainda não estava instalado. Passo cheque. Resultado da arteroesclerose precoce ou da falta de hábito – penso que ainda não do analfabetismo funcional – escrevo o montante na linha do «à ordem» e a entidade na linha da «quantia». Não me apercebi, quem recebeu também não. O cheque foi para o banco e voltou para trás. Falamos de um cheque de pouco mais de 100 euros. Será que o banco não tem o meu número de telefone para confirmar se passei ou não aquele cheque?! Passei um novo. E ainda assisti, pasmado, ao rapaz da tal empresa passar-me um recibo manual, tendo um PC e uma impressora à frente. Ah! Mas utilizou a calculadora do PC para fazer as contas...
Onde está a excelência da empresa que gere a piscina e já agora a excelência do meu banco. Dão-se alvíssaras.

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8 de junho de 2007

Mais um «esbulho» legal: os bancos, esses nossos amigos, e... os agarrados

O Governo e a sociedade clamam contra o endividamento das famílias mas pouco fazem para o limitar. Nesse endividamento generalizado – crédito para a compra de casa, de carro e de outros bens de consumo (electrodomésticos, roupas, férias) – a parcela maior é invariavelmente a primeira: o crédito à habitação. Resta dizer que ainda tenho um crédito desses. Dos outros não tenho, nem quero.
O contrato que negociei com a instituição bancária onde tenho esse crédito estabelece que posso liquidar anualmente até 50% do valor do empréstimo contra o pagamento de uma taxa de serviço de €125. Se liquidar mais de 50% num mesmo ano, pagarei, além da dita taxa de serviço, mais 2% sobre o valor da entrega. Andei às turras num processo que acabou mal com uma outra instituição bancária que me queria cobrar 7% por toda e qualquer liquidação antecipada?!?!? É verdade, 7%?!?! Por um triz, faria jus aos célebres onzeneiros vicentinos...
Os bancos querem-nos agarrados!
Quando celebrei o meu actual contrato, tinha a minha antiga casa integralmente paga mas ainda por vender, daí que tivesse particular cuidado na negociação dessa cláusula. Quando a vendi, cerca de um ano depois de pedir o empréstimo, o banco tentou demover-me de proceder à liquidação antecipada do capital, acenando-me com miríficos e rendosos produtos, numa atitude que roçou o que chamo de prática comercial agressiva. Claro que não cedi, mas tive de usar de alguma assertividade para que a minha zelosa gestora de conta me largasse a labita. As diferenças entre estas práticas e o time-sharing de rua foram mínimas: a moça estava mais bem vestida, é um facto; a abordagem foi feita entre quatro paredes e não na rua, sim senhor; a abordagem fez-se a coberto de um emblema de prestígio da finança internacional, é claro! O modo de fazer, a agressividade e o condicionamento ao cliente, porém, foram muito idênticos...
Decididamente, os bancos querem-nos agarrados!
Sabendo disto tudo, o Banco de Portugal estabeleceu, há já algum tempo, algumas regras para minorar estas práticas. Hoje é possível liquidar a todo o tempo o capital dos empréstimos para crédito à habitação e os bancos apenas podem cobrar a tal taxa de serviço e uma comissão de no máximo 0,5%. Eu acho que não deviam poder cobrar comissão nenhuma, quando muito a tal taxa de serviço e não no valor que cobram.
Então eu vou liquidar ou amortizar o empréstimo, representando um cada vez menor risco para o banco e ainda sou penalizado… Devia ser penalizado era por não pagar e não por pagar!? Por pagar, devia até ser beneficiado, eventualmente com uma redução da taxa de juro e do spread. O cliente que representa menos riscos devia ser um bom cliente mas é um mau cliente.
Um bom cliente é agora um cliente agarrado!
E o que dizer do facto de, por fazerem uma transferência da minha conta à ordem e introduzirem os novos valores nos simuladores do crédito à habitação e do seguro de vida, imprimindo um novo plano de empréstimo e uma nova apólice (aquilo é uma simples folha), operação que demora uns minutos a um funcionário e se traduz em duas folhas de papel impresso de imediato, que nem sequer assinadas são, me cobrarem €125…
Não é, pois, de estranhar, que os bancos engordem cada vez mais. Só assim é possível que, por exemplo, o maior banco privado português, o Millenium BCP, como refere A Visão da semana passada, se tenha valorizado em 5 meses – repito, 5 meses - mais de 28%. Exacto, mais de 28%! Ou seja, 13 mil milhões de euros.
Acho que está tudo dito, não?!

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1 de junho de 2007

Mais um esbulho legal: onde está o meu dinheiro?

Ontem fiz uma transferência interbancária de uma conta minha numa instituição bancária para outra conta minha numa outra instituição bancária. Calha que ambas distem uma da outra aí uns cinco minutos a pé. Se pegasse no dinheiro e o lá fosse levar, mesmo estando à espera em ambos os balcões, não levaria mais de meia hora a fazê-lo e ficaria logo disponível.
Porém, hoje de manhã, 24 horas depois, ainda não tinha lá o dinheiro. Isto com toda a parafrenália tecnológica de que a banca dispõe… Diz-se até que o chamado homebanking da banca portuguesa é avançadíssimo e ao nível do que de melhor existe na Europa…
Calhou também que um amigo meu, que trabalha no Banco de Portugal, me tenha falado há já algum tempo – vendo literalmente ao preço que comprei, já que sou um leigo nestas matérias - em algo a que chamou aplicações overnight. Segundo ele, são operações por um dia útil. Ou seja, no período de limbo, que medeia entre uma ordem do cliente para um pagamento, transferência ou o que seja, os bancos aproveitam para colocar aquele dinheiro em aplicações financeiras de curto prazo. Mesmo que isso se passe no período em que a instituições bancárias estão encerradas. Nesse caso, fazem-no em mercados de capitais distantes, aproveitando as diferenças de fusos horários. E só disponibilizam o dinheiro no destino no limite do prazo legal ou administrativo ou até depois dele… Ninguém reclama por umas horas a mais…
Este prazo, que era em tempos não muitos distantes de três dias, é agora – parece-me - de um dia… isto porque o Banco Central descobriu o que todos já sabíamos, ou seja, que havia gente seriíssima a ganhar dinheiro com o nosso dinheiro… Apropriavam-se dele, sem autorização, e aplicavam-no, sem nos darem quaisquer dividendos, por uns dias ou por umas horas...
Calhou agora lembrar-me destas situações!
Sobre a presente, e mesmo com a mudança recente no prazo, gostava imenso de saber por onde andou o meu dinheiro. Facto é que entre ontem e hoje ele mudou de posse, embora nunca tenha mudado?!?!?! E isto – claro está - é tudo legalíssimo…

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16 de maio de 2007

Postecipemos, pois!

Tenho uma aplicação financeira numa conta na Caixa Geral de Depósitos (CGD). Uns quantos euros num fundo designado Caixa Gest Curto Prazo, cujo único propósito é evitar que me cobrem uma comissão trimestral pela chamada gestão da conta. Pois para poder usufruir do magno benefício de nada me cobrarem por lá terem o meu dinheiro, tenho de ter associado à dita conta um produto. Palavras deles! Da aplicação, recebo mensalmente um extracto com a pomposamente designada posição da carteira. Desta vez, o extracto apareceu-me encimado por um parágrafo críptico. Já estou habituado a perceber com dificuldade a conversa dos bancos, prenhe do jargão da arte e, o que é pior, muito mal escrita. Eis o tal parágrafo críptico, tal como veio na carta:

«A COMISSÃO DE GUARDA DE VALORES MOBILIÁRIOS PASSOU A SER POSTECIPADA, TRIMESTRAL E PROPORCIONAL À PERMANÊNCIA DOS VM EM CARTEIRA (MÍNIMO 1 MÊS), DESDE 1/7/2006: CENTRAL NACIONAL – €7; CLIENTES RESIDENTES NO ESTRANGEIRO OU CENTRAL INTERNACIONAL– €35. PARA QUALQUER ESCLARECIMENTO ADICIONAL LIGUE 707242424»

Da conversa, só percebi, melhor, antevi, que aquilo se destinava a cobrar alguma coisa. Telefonei para o tal número mas estava cronicamente interrompido. Telefonei depois à minha agência. Tirando os gestores de conta, o atendimento telefónico dos bancos é feito por aquelas telefonistas profissionais, outrora chamada meninas e agora chamadas operadoras de call centers. Dizem sempre que têm muito prazer em falar comigo e tratam-me pelo nome completo, coisa que só oiço quando vou votar, tomar posse ou fazer uma escritura. A dita menina ou operadora de call center não sabia responder – nunca sabem – mas foi indagar. A explicação, embora tecnicamente atabalhoada, foi-me dita com o ar proficiente dos sábios da banca e permitiu-me concluir que estava isento, por aquela aplicação se tratar de um fundo de investimento e não de um fundo de acções. Porém, vem na minha carta! E obrigou-me a fazer duas chamadas telefónicas… E mesmo que tal me dissesse respeito, não saberão aquelas almas que o postecipar nem sequer existe na Língua Portuguesa e sobretudo que, tirando os sábios da banca e alguns - poucos - juristas, mais ninguém sabe o que é! Isto para além de utilizarem expressões equívocas e vazias de sentido como Central Nacional, para designar a comissão aplicada a clientes nacionais ou Central Internacional, para designar a sua equivalente aplicada a clientes residentes no estrangeiro! Ou ainda que, pondo o texto em maiúsculas – para além da má-criação -, pode fazer pensar que a tal comissão é a CMVM (Comissão de Mercado de Valores Mobiliários)…

De qualquer dos modos, passo a traduzir aquela conversa em linguagem inteligível aos cidadãos da Pólis que não estejam nas categorias atrás mencionadas:

«A comissão pela guarda de valores mobiliários (VM) passou, desde 1/7/2006, a ser cobrada trimestralmente. O montante da comissão, que para clientes nacionais é de €7 e para clientes residentes no estrangeiro é de €35, é calculado proporcionalmente ao período de permanência dos VM em carteira, sendo o período mínimo de um 1 mês»

Usei propositadamente apenas as próprias palavras que lá estão. Tirando, claro, o postecipar. E alindei a coisa. Se fizesse de raiz, ainda melhorava a clareza... Mas acho que já está bem melhor e sobretudo mais claro do que o que eu recebi. A tradução é free of charges, pro bono, de borla, gratuita e está à disposição da CGD… Façam lá o favor…

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29 de novembro de 2006

Diga SIM

Sou cliente do Barclays Bank. Há duas semanas recebi uma simpática cartinha que reza assim:
«Estimado cliente
A pensar em si, lançámos o Crédito Pessoal SIM.
Um crédito exclusivo, que valoriza o seu tempo.
Ligue já o 707 50 50 50 e diga Sim!
Até 31 de Janeiro de 2007, colocamos à sua disposição 30.000 Euros por prazos entre os 60 e os 96 meses, com uma prestação mensal de 410,56 euros.
É só dizer Sim e em 48 horas terá disponível na sua conta de Depósitos à Ordem o seu Crédito Pessoal»
[...]
É claro que eu disse Não. Mas certamente, outros vão dizer Sim. A tentação é grande. Um telefonema, uma palavra, 30 000 aérios na conta. Mais fácil, não há. Isto é o que porventura, na gíria do marketing bancário, se chama uma prática comercial agressiva. A expressão não tem até no mercado - parece-me - uma conotação negativa. E qual é a diferença entre isto e aqueles indivíduos que no meio da rua nos tentam vender semanas de férias à força?! Os mal afamados time sharings. Não é muita e é apenas formal. Eu acho que os casos decorrentes de crédito bancário mal parado e que inundam os tribunais cíveis deste país, sempre que resultantes deste tipo de produtos e práticas, deveriam ser suportados pelos próprios bancos de acordo com o custo real da Justiça... Uma espécie de princípio do utilizador-pagador ou melhor do causador-pagador...

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4 de novembro de 2006

Spread escondido com rabo de fora

A questão dos arredondamentos das taxas de juro do crédito à habitação efectuada pelos bancos da Pólis tem levantado gorda celeuma. Parece que o Banco de Portugal vai regulamentar a situação. Porém, isso só acontece porque os célebres spreads (a que se convencionou chamar, mas mal, margens de lucro dos bancos) atingiram níveis muito baixos e alguns arredondamentos podem ser iguais ou mesmo superiores ao spread. A situação tornou-se, assim, demasiado óbvia e escandalosa para ser ignorada. Mas sempre existiu e todos – em especial o Banco de Portugal – sabíamos disso. É claro que se nota mais se o spread contratado for de 0,25%, por exemplo, com uma taxa de juro de, por exemplo, de 3,51%. Arredondando para o quarto superior, ou seja, 0,75%, temos um spread de 0,25% e um arredondamento de 0,24%. Acontece que o spread do gato há muito que estava de fora e já todos o havíamos visto. E afinal nesta história, os protagonistas são conhecidos e estão certos no casting: o rato somos nós, que, sem alternativa, aceitávamos sem protestar; o gato é a banca, predador felino e atentíssimo? Mas, e o Banco de Portugal, que devia controlar o gato, só acorda quando o rato já está carcomido?!

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